quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Carlos Nogueira - casa com esquina a céu aberto - 2005, ferro, madeira, vidro, luz e cheiro - 90x270x180cm

A crítica, tal como existe presentemente nos “media”, não é mais que um mero instrumento ao serviço dos negócios da cultura. Assim sendo, toda a arte verdadeiramente independente que existe à margem desses negócios não é objecto de crítica e, como tal, parece não existir na sociedade de informação, que, afinal, não informa. Mas existe, essa arte existe!
Nuno Rebelo – Revista Actual, edição n.º 1836 de 5 Janeiro 2008, Sul.

Essencial para o constante aperfeiçoamento de qualquer actividade que façamos. Sem esse olhar terceiro sobre o que cada um de nós produz, o sistema funciona de modo incompleto, torna-se demasiado autocentrado e redutor. Mas existem críticas e críticas, claro. Quanto mais assertivo, corajoso, inteligente e imparcial é o critico mais significativo pode ser o seu olhar. Acima de tudo, a crítica relativiza e tem um potencial desestabilizador e desafiante que é altamente estimulante, fundamental, para o processo de criação. Sabe uma coisa? Há falta de verdadeira crítica sobre design em Portugal…
Guta Moura Guedes - Revista Actual, edição n.º 1836 de 5 Janeiro 2008, Sul.

Não poderia estar mais de acordo.
Se bem que me parece que há verdadeira falta de crítica em tudo.
Não é só sobre Design.
E de auto-critica também.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Luiz Pacheco
Passou ontem na RTP2 a propósito do desaparecimento no passado Sábado de Luiz Pacheco.
Aqui ficam alguns pedaços.

(para ouvir convenientemente, é favor desligar o rádio lá em baixo. Obrigada.)


O Cachecol do Artista


O Tradutor


Os Amigos


O Crítico - O caso do sonâmbulo

Ás vezes, palavras duras, definitivas, a luta dos indivíduos (a morte ou a vida), e chacotas pelos fracassos de cada um, e arremessos de mau, génio, e vampirismo, pois então. Somos puros.
Comunidade (1964)


domingo, 6 de janeiro de 2008




Eu até era capaz de vomitar o mundo num esgar, sem piedade, mas a verdade é que não me levo a sério, nem posso, e também sei que há três segundos atrás eu não era eu.





Os videos são da exposição de Xana O Falso Diário de A.B., patente na Central Tejo - Museu de Electricidade, de Julho a Setembro de 2007.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Rui Chafes - Eu sou os outros


somos, não somos…?
somos um, ou a soma das partes?

somos os laços, as dores, os braços, somos os amores.

ou cães vadios, com cio?

ou somos simplesmente sós?
ou múltiplos novelos de fios em ferro forjado, enferrujado, emaranhados?

somos o que sentimos por fim

e eu nunca parti do principio que sou o limitadíssimo ponto do meu umbigo
simples

...é!
tudo parece certo assim
sente-se

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008


Daniel Senise, "CEM"(884-07)

Iniciar mais um ano, além do ritual de inicio de novo calendário, do recomeço de processos, significa muitas vezes também, sentir desejo de iniciar um tempo novo, uma vida nova, cortando os fios que nos ligam aos dias antes, ignorando, ingenuamente, a linearidade e sequencialidade de tudo.
O desejo não tem de estar sujeito à razão, e não está, creio, e se eu deixar de ser pragmática, apenas que seja por uma hora, talvez me permita sentir o desejo de cortar os fios, reduzi-los a cinzas e avançar, deixando atrás de mim a fogueira consumindo-se, extinguindo-se, espraiando-se em pó.
O pragmatismo também nos permite discernir, analisar, contornar obstáculos, emendar caminhos, permite-nos resgatar de uma vida de imperfeição e impossibilidades.

Poderá ser então que o desejo seja o motor que nos impele à força para caminhar e o fogo um ritual de catarse e de excreção da frustração.

Não é muito mau não ter coisa alguma, não ter para onde se vai, não ter onde chegar.
E é muito bom estar aqui e ter amanhã para viver.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Barnett Newman - Canto XVI


Só as tuas mãos trazem os frutos.
Só elas despem a mágoa
Destes olhos, choupos meus,
Carregados de sombra e rasos de água.

Só elas são
Estrelas pendurdas nos meus dedos.
- Ó mãos da minha alma,
flores abertas aos meus segredos.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

AL - Bummmmmmmm


Silêncio

Silêncio
de salgueiro
sobre um braço de água parada,
silêncio
de nuvens imóveis,
silêncio
de caminhos intransitivos.

Solidão
de relvas de outono,
solidão
de pássaro sobre o pântano,
solidão
de datas insaciáveis.

Dor
de sol ensanguentado,
dor
de luz na penumbra,
dor
do não-vivido.

Ivan Minatti

.

.

I'm dead. inside.

.

or…
maybe not dead,
but death it self



domingo, 1 de julho de 2007

Linda Alstead - 25th April 2005 - is it a sign?


You say: Maiakovski again????
And I say: Why not?!

So... really? why not?!


O POETA-OPERÁRIO

Grita-se ao poeta:
"Queria-te ver numa fábrica!
O quê? Versos? Pura bobagem".
Talvez ninguém como nós
ponha tanto coração
no trabalho.
Eu sou uma fábrica.
E se chaminés
me faltam
talvez seja preciso
ainda mais coragem.
Sei.
Frases vazias não agradam.
Quando serrais madeira
é para fazer lenha.
E nós que somos
senão entalhadores a esculpir
a tora da cabeça humana?
Certamente que a pesca é coisa respeitável.
Atira-se a rede e quem sabe?
Pega-se um esturjão!
Mas o trabalho do poeta
é muito mais difícil.
Pescamos gente viva e não peixes.
Penoso é trabalhar nos altos-fornos
onde se tempera o ferro em brasa.
Mas pode alguém
acusar-nos de ociosos?
Nós polimos as almas
com a lixa do verso.
Quem vale mais:
o poeta ou o técnico
que produz comodidades?
Ambos!
Os corações também são motores.
A alma é poderosa força motriz.
Somos iguais.
Camaradas dentro da massa operária.
Proletários do corpo e do espírito.
Somente unidos,
somente juntos remoçaremos o mundo,
fá-lo-emos marchar num ritmo célere.
Diante da vaga de palavras
levantemos um dique!
Mãos à obra!
O trabalho é vivo e novo!
Com os oradores vazios, fora!
Moinho com eles!
Com a água de seus discursos
que façam mover-se a mó!

Vladimir Maiakovski

Pois é...! Cada um vai como pode, como sabe, e cada um chega somo melhor souber, poder, conseguir. Importante mesmo é chegar, inteira, e reconhecer que a diversidade e a autenticidade nos torna mais ricas e mais fortes. Reconhecer que independentemente daqueles que nos querem "normalizar" e fazer crer que somos "impróprias", importante é lutar contra aquilo que nos querem fazer crer que devemos ser.
E enfim... por aí fora. Dá para perceber a mensagem, certo?!