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sábado, 21 de novembro de 2009


Dormir um pouco — um minuto,
um século. Acordar
na crista
duma onda, ser
o lastro de espuma
que há no sono
das algas. Ou
ser apenas
a maré, que sempre
volta
para dizer: eu não morri, eu sou
a borboleta
do vento, a flor
incandescente destas águas.

Albano Martins

domingo, 15 de março de 2009




Poema para habitar

A casa desabitada que nós somos
pede que a venham habitar,
que lhe abram as portas e as janelas
e deixem passear o vento pelos corredores.
Que lhe limpem os vidros da alma
e ponham a flutuar as cortinas do sangue
– até que uma aurora simples nos visite
com o seu corpo de sol desgrenhado e quente.
Até que uma flor de incêndio rompa
o solo das lágrimas carbonizadas e férteis.
Até que as palavras de pedra que arrancamos da língua
sejam aproveitadas para apedrejarmos a morte.

Albano Martins

terça-feira, 10 de junho de 2008

Caminhos paralelos ou perpendiculares.

Nenhum ramo
é seguro.
Frágeis
são as palavras.
Albano Martins

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Um Jardim, Junho de 2008.


Não foi
só pretexto, foi
também efeito. Efeito
sem causa. Diz-me:
em que lugar
do som
vibra a flauta
sem mestre?


Albano Martins

terça-feira, 18 de março de 2008

Alison Kinnaird, Contraflow


Quatro
perguntas, seguidas de um epílogo ao escultor José Rodrigues
1. Tens na
ponta do lápis uma chave
para abrir o poema.
Por onde é que ela o abre?

2. Se um besouro de asas
translúcidas entrasse
agora no poema
– tu deixavas?

3. Sabes
como se esculpe um poema
fechado a sete chaves?

4. E se uma pomba
roçasse o ângulo
raso do poema
– prendê-la-ias?
Tu que esculpes
com mãos de água o corpo
e a sombra dos dias.

Albano Martins

domingo, 13 de janeiro de 2008



Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.

Albano Martins in Escrito a Vermelho


sábado, 16 de junho de 2007




Inhabited Vase . Josh Simpson

Nem sempre
a neve
cai do céu: às vezes,
explode numa flor.

Albano Martins

... o sal.