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segunda-feira, 24 de março de 2008

Jennifer Shaw, Floating Clovers, 2001.

1.
Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma página
E aproveito o facto de teres chegado agora
Para te explicar como vejo o crescer de uma magnólia.
A magnólia cresce na terra que pisas – podes pensar
Que te digo alguma coisa não necessária, mas podia ter-te dito, acredita,
Que a magnólia te cresce como um livro entre as mãos. Ou melhor,
Que a magnólia – e essa é a verdade – cresce sempre
Apesar de nós.
Esta raiz para a palavra que ela lançou no poema
Pode bem significar que no ramo que ficar desse lado
A flor que se abrir é já um pouco de ti. E a flor que te estendo,
Mesmo que a recuses
Nunca a poderei conhecer, nem jamais, por muito que a ame,
A colherei.

A magnólia estende contra a minha escrita a tua sombra
E eu toco na sombra da magnólia como se pegasse na tua mão.

Daniel Faria
Do ciclo das intempéries

Poesia, 1.ª edição, Lisboa, Quasi, 2003

domingo, 6 de maio de 2007

Dor

Jennifer Shaw, Leaning Trees, 2003

Silêncio.
Apagar esta dor interior que se agarra como as carraças.
Caminhar até doer, por fim o cansaço e o sono, o sangue.
Hoje lancei-me uma vez mais pelas dunas. Percorri quilómetros perdida no desespero da ordem, procurando por entre o silêncio do vento e do mar... procurando.
Pensei que adormeceria, por fim, e me esqueceria. Amanhã acordaria de um pesadelo.

Assim fosse.