voltamos às casas, ou não voltamos
quando se habita a ausência e todas as paredes brancas são vazias e neutras
habitamos, não habitamos… questiono-me às vezes, nos momentos em que o reboliço lá fora serena ou se afasta
bastar-nos-ão quatro paredes e um tecto? um chão de cimento?
talvez uma janela, uma porta, dentro, talvez uma cama e um corpo esquecido, boca, língua, discurso…
lembra-me como era, apenas e só como era, a casa, o cheiro, as curvas do pescoço ao peito
uma ideia que seja de como era…
não voltamos
não sei, sequer, o caminho de volta
habitar
quando se habita a ausência e todas as paredes brancas são vazias e neutras
habitamos, não habitamos… questiono-me às vezes, nos momentos em que o reboliço lá fora serena ou se afasta
bastar-nos-ão quatro paredes e um tecto? um chão de cimento?
talvez uma janela, uma porta, dentro, talvez uma cama e um corpo esquecido, boca, língua, discurso…
lembra-me como era, apenas e só como era, a casa, o cheiro, as curvas do pescoço ao peito
uma ideia que seja de como era…
não voltamos
não sei, sequer, o caminho de volta
habitar
talvez sejamos, afinal, deficientes, e as casas não sejam pensadas para nós
nós para as casas
eu
falo por mim
