quinta-feira, 24 de dezembro de 2009


Festejar o Natal é festejar o nascimento de Jesus Cristo, independentemente da data em que tal deverá ter ocorrido. A história que nos é transmitida por Lucas e Mateus nos Evangelhos dá-nos conta, entre outras coisas, daqueles que o procuraram naqueles primeiros instantes de vida, e daí em diante, de todos os que O foram encontrando, creram e seguiram. Posso dizer que a existência aqui se muda, como o mundo mudou naquele primeiro instante de vida.

Seguir Jesus Cristo é ter Fé num mundo que há-de acordar para o lado mais luminoso dos dias ao invés do lado mais sombrio, para onde vagarosamente rastejamos alienados dos verdadeiros valores com que a Humanidade deveria construir o presente e o futuro. Essa construção alicerçada em rocha firme faz-se todos os dias, a começar em nós e a seguir para o outro, o mais próximo, e faz-se nas mais pequenas coisas. Para mudar o mundo não são necessários grandes feitos. Por vezes é só estender a mão em direcção àquele que está próximo e precisa de ouvir uma palavra, de receber um abraço, de ser reconhecido como Pessoa sensível.

Este Natal será celebrado com todos aqueles que amo, os presentes, fisicamente, e os ausentes, que embora distantes, me habitam o peito.

Este Natal celebro mais um ano de Fé, pese embora em alguns momentos me tenha deixado desviar do caminho, porque não é fácil ter-se Fé e viver segundo aquilo que foi escrito.

Este Natal celebro a minha família, que relutantemente só cresce, todos os amigos que fiz e guardarei, a dádiva do Amor, todo o amor que encontrei, dei e recebi, todas as pequenas mudanças que fui capaz de fazer e me trouxeram e aos que me rodeiam, mais felicidade, todos aqueles que resistiram e não partiram, a minha Fé em Deus e Jesus Cristo que não me falharam.

Este Natal desejo-vos a todos que saibam ser felizes!

FELIZ NATAL!


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009



Uma delicia, em todos os sentidos.
Mais uma excelente interpretação de Meryl Streep (veja-se o filme e depois os vídeos da Julia Child. Lindo!).
Quanto ao "Mastering the Art of French Cooking" está quase quase a sair do forno...
A não perder!
...e para quem gosta de cozinhar, prudência, pois o filme dá vontade de passar o fim-de-semana a cozinhar/comer.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009







A não perder, logo que estreiem em Portugal (pena é que tenhamos de esperar tanto tempo por filmes destes).
Eu já estou a ver se me antecipo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Jorge Abade
Feira de Arte Contemporânea de Lisboa - 2009


crescem, dentro de nós
dos ramos, o fruto
da terra, sedimento


sábado, 21 de novembro de 2009


Dormir um pouco — um minuto,
um século. Acordar
na crista
duma onda, ser
o lastro de espuma
que há no sono
das algas. Ou
ser apenas
a maré, que sempre
volta
para dizer: eu não morri, eu sou
a borboleta
do vento, a flor
incandescente destas águas.

Albano Martins

segunda-feira, 9 de novembro de 2009


E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe e dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa paralítico e violentamente atormentado.
E Jesus lhe disse: Eu irei e lhe darei saúde.
E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado sarará, pois também eu sou homem sob autoridade e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu criado: faze isto, e ele o faz.
E maravilhou-se Jesus, ouvindo isso, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé.
Mas eu vos digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no Reino dos céus;
E os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes.
Então, disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito. E, naquela mesma hora, o seu criado sarou.
Mateus 8, 5-13

Apercebemo-nos por vezes do quanto certas pessoas são importantes para nós e para o mundo que nos rodeia, o quanto vivemos no limiar de as perder, o quanto essas pessoas influenciam positivamente as nossas vidas e o quanto gostamos delas.
Nessas alturas de quase-perda parece que o céu desaba em cima de nós e deixamos de ter força para continuar. Deixamos de saber como continuar quando nos apercebemos que há o perigo de se extinguir uma luz, uma radiante luz que nos banhou de claridade e de calor sem que déssemos por isso.
Nessas alturas pensamos que estávamos longe de pensar que certas coisas podem acontecer àqueles que nos rodeiam.
Nestas alturas pensamos: Porquê? Há por aí tanta gente que faz tanto mal... Porquê aos bons? Àqueles que ainda têm tanta luz e tanta magia para dar, tantos sonhos para concretizar, tanta alegria para distribuir?


EU CREIO!
Este é o meu testemunho.
Senhor, disseste: "pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e abrir-se-á", peço-Te que como o fizeste ao servo do Centurião, o faças a ela e a cureis.
Que esta recupere e sare, que esta acorde e prossiga o caminho longo que tem ainda a fazer junto dos bons, sem mazelas.
Ajudai-a Senhor.

terça-feira, 3 de novembro de 2009



Tenho andado distraída. Ou isso, ou ausente...
As urzes já floriram, e vestem os pinhais de um manto denso de saudade…

Chega o Outono e com ele uma nova paleta de cores acontece, espontaneamente, e veste a paisagem.

Meu Deus... como eu gosto deste sitio, meio perdido, plantado junto ao mar...

A beleza é assim mesmo. Acontece e surpreende-nos, um dia, e a cada Outono que acontece, são ainda mais belas, as urzes.

domingo, 1 de novembro de 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Bill Brandt, Belgravia


Reconheço este quarto impermeável
Reconheço-te ...... estás adormecido
O peito muito aberto ...... as mãos luminosas
O grande talento dos teus dentes miúdos

Há o perigo de um grito lindíssimo
Quando andas assim ...... comigo ...... no invisível

[…]

Mário Cesariny

quarta-feira, 28 de outubro de 2009


Até onde poderá ir a ganância e o desrespeito?




O presidente da Ordem dos Médicos de Espanha, Juan José Rodríguez Sendín, denunciou recentemente que existem interesses económicos por detrás da criação de "uma epidemia de medo" causada por uma "doença fantasma", noticiou o diário espanhol "El País".

O conselho-geral da Ordem dos Médicos de Espanha tinha advertido, num comunicado de imprensa, que se está a criar "um alarme e uma angústia exagerada à volta da gripe A". Mas esta manhã Rodríguez Sendín foi mais duro nas críticas que proferiu durante uma conferência de imprensa. "Existem interesses económicos, que são evidentes, e inclusive políticos", acusou o responsável.

"Com os dados à frente" confirma-se que o vírus da gripe A regista taxas de mortalidade e complicações "bastante mais leves e toleráveis" do que as que a gripe sazonal manifesta todos os anos, acrescentou Rodríguez Sendín. Assim, "95% dos pacientes irá passar pela doença sem problemas" e "não há razão para serem mais vacinados" do que já são para resistir a uma gripe normal, tranquilizou o responsável.

Após ouvir as críticas dos médicos, a ministra espanhola da Saúde,Trinidad Jimenez, teve de admitir um alarmismo exagerado e desproporcionado à volta do vírus H1N1. "Talvez estejamos a exagerar um pouco à volta de uma doença que, segundo as informações que dispomos, não tem efeitos muito maiores do que a gripe sazonal", reconheceu a responsável. Jimenez até elogiou os médicos que tomaram a iniciativa de transmitir "uma mensagem de tranquilidade" "muito razoável".

Isto afinal é ou não é um CRIME HEDIONDO contra a humanidade?!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Harry Callahan - Lot Description


For Richard Howard

Diese Tage, die leer dir scheinen
und wertlos für das All,
haben Wurzeln zwischen den Steinen
und trinken dort überall.

(These days which, like yourself,
Seem empty and effaced
Have avid roots that delve
To work deep in the waste)


A card table in the library stands ready
To receive the puzzle which keeps never coming.
Daylight shines in or lamplight down
Upon the tense oasis of green felt.
Full of unfulfillment, life goes on,
Mirage arisen from time's trickling sands
Or fallen piecemeal into place:
German lesson, picnic, see-saw, walk
With the collie who "did everything but talk"—
Sour windfalls of the orchard back of us.
A summer without parents is the puzzle,
Or should be. But the boy, day after day,
Writes in his Line-a-Day No puzzle.

He's in love, at least. His French Mademoiselle,
In real life a widow since Verdun,
Is stout, plain, carrot-haired, devout.
She prays for him, as does a curé in Alsace,
Sews costumes for his marionettes,
Helps him to keep behind the scene
Whose sidelit goosegirl, speaking with his voice,
Plays Guinevere as well as Gunmoll Jean.
Or else at bedtime in his tight embrace
Tells him her own French hopes, her German fears,
Her—but what more is there to tell?
Having known grief and hardship, Mademoiselle
Knows little more. Her languages. Her place.
Noon coffee. Mail. The watch that also waited
Pinned to her heart, poor gold, throws up its hands—
No puzzle! Steaming bitterness
Her sugars draw pops back into his mouth, translated:
"Patience, chéri. Geduld, mein Schatz."
(Thus, reading Valéry the other evening
And seeming to recall a Rilke version of "Palme,"
That sunlit paradigm whereby the tree
Taps a sweet wellspring of authority,
The hour came back. Patience dans l'azur.
Geduld im. . . Himmelblau? Mademoiselle.)

Out of the blue, as promised, of a New York
Puzzle-rental shop the puzzle comes—
A superior one, containing a thousand hand-sawn,
Sandal-scented pieces. Many take
Shapes known already—the craftsman's repertoire
Nice in its limitation—from other puzzles:
Witch on broomstick, ostrich, hourglass,
Even (surely not just in retrospect)
An inchling, innocently branching palm.
These can be put aside, made stories of
While Mademoiselle spreads out the rest face-up,
Herself excited as a child; or questioned
Like incoherent faces in a crowd,
Each with its scrap of highly colored
Evidence the Law must piece together.
Sky-blue ostrich? Likely story.
Mauve of the witch's cloak white, severed fingers
Pluck? Detain her. The plot thickens
As all at once two pieces interlock.

Mademoiselle does borders— (Not so fast.
A London dusk, December last.
Chatter silenced in the library
This grown man reenters, wearing grey.
A medium. All except him have seen
Panel slid back, recess explored,
An object at once unique and common
Displayed, planted in a plain tole
Casket the subject now considers
Through shut eyes, saying in effect:
"Even as voices reach me vaguely
A dry saw-shriek drowns them out,
Some loud machinery— a lumber mill?
Far uphill in the fir forest
Trees tower, tense with shock,
Groaning and cracking as they crash groundward.
But hidden here is a freak fragment
Of a pattern complex in appearance only.
What it seems to show is superficial
Next to that long-term lamination
Of hazard and craft, the karma that has
Made it matter in the first place.
Plywood. Piece of a puzzle." Applause
Acknowledged by an opening of lids
Upon the thing itself. A sudden dread—
But to go back. All this lay years ahead.)

Mademoiselle does borders. Straight-edge pieces
Align themselves with earth or sky
In twos and threes, naive cosmogonists
Whose views clash. Nomad inlanders meanwhile
Begin to cluster where the totem
Of a certain vibrant egg-yolk yellow
Or pelt of what emerging animal
Acts on the straggler like a trumpet call
To form a more soph"isticated unit.
By suppertime two ragged wooden clouds
Have formed. In one, a Sheik with beard
And flashing sword hilt (he is all but finished)
Steps forward on a tiger skin. A piece
Snaps shut, and fangs gnash out at us!
In the second cloud—they gaze from cloud to cloud
With marked if undecipherable feeling—
Most of a dark-eyed woman veiled in mauve
Is being helped down from her camel (kneeling)
By a small backward-looking slave or page-boy
(Her son, thinks Mademoiselle mistakenly)
Whose feet have not been found. But lucky finds
In the last minutes before bed
Anchor both factions to the scene's limits
And, by so doing, orient
Them eye to eye across the green abyss.
The yellow promises, oh bliss,
To be in time a sumptuous tent.

Puzzle begun I write in the day's space,
Then, while she bathes, peek at Mademoiselle's
Page to the curé: ". . . cette innocente mère,
Ce pauvre enfant, que deviendront-ils?"
Her azure script is curlicued like pieces
Of the puzzle she will be telling him about.
(Fearful incuriosity of childhood!
"Tu as l'accent allemande" said Dominique.
Indeed. Mademoiselle was only French by marriage.
Child of an English mother, a remote
Descendant of the great explorer Speke,
And Prussian father. No one knew. I heard it
Long afterwards from her nephew, a UN
Interpreter. His matter-of-fact account
Touched old strings. My poor Mademoiselle,
With 1939 about to shake
This world where "each was the enemy, each the friend"
To its foundations, kept, though signed in blood,
Her peace a shameful secret to the end.)
"Schlaf wohl, chéri." Her kiss. Her thumb
Crossing my brow against the dreams to come.

This World that shifts like sand, its unforeseen
Consolidations and elate routine,
Whose Potentate had lacked a retinue?
Lo! it assembles on the shrinking Green.

Gunmetal-skinned or pale, all plumes and scars,
Of Vassalage the noblest avatars—
The very coffee-bearer in his vair
Vest is a swart Highness, next to ours.

Kef easing Boredom, and iced syrups, thirst,
In guessed-at glooms old wives who know the worst
Outsweat that virile fiction of the New:
"Insh'Allah, he will tire—" "—or kill her first!"

(Hardly a proper subject for the Home,
Work of—dear Richard, I shall let you comb
Archives and learned journals for his name—
A minor lion attending on Gérôme.)

While, thick as Thebes whose presently complete
Gates close behind them, Houri and Afreet
Both claim the Page. He wonders whom to serve,
And what his duties are, and where his feet,

And if we'll find, as some before us did,
That piece of Distance deep in which lies hid
Your tiny apex sugary with sun,
Eternal Triangle, Great Pyramid!

Then Sky alone is left, a hundred blue
Fragments in revolution, with no clue
To where a Niche will open. Quite a task,
Putting together Heaven, yet we do.

It's done. Here under the table all along
Were those missing feet. It's done.

The dog's tail thumping. Mademoiselle sketching
Costumes for a coming harem drama
To star the goosegirl. All too soon the swift
Dismantling. Lifted by two corners,
The puzzle hung together—and did not.
Irresistibly a populace
Unstitched of its attachments, rattled down.
Power went to pieces as the witch
Slithered easily from Virtue's gown.
The blue held out for time, but crumbled, too.
The city had long fallen, and the tent,
A separating sauce mousseline,
Been swept away. Remained the green
On which the grown-ups gambled. A green dusk.
First lightning bugs. Last glow of west
Green in the false eyes of (coincidence)
Our mangy tiger safe on his bared hearth.

Before the puzzle was boxed and readdressed
To the puzzle shop in the mid-Sixties,
Something tells me that one piece contrived
To stay in the boy's pocket. How do I know?
I know because so many later puzzles
Had missing pieces—Maggie Teyte's high notes
Gone at the war's end, end of the vogue for collies,
A house torn down; and hadn't Mademoiselle
Kept back her pitiful bit of truth as well?
I've spent the last days, furthermore,
Ransacking Athens for that translation of "Palme."
Neither the Goethehaus nor the National Library
Seems able to unearth it. Yet I can't
Just be imagining. I've seen it. Know
How much of the sun-ripe original
Felicity Rilke made himself forego
(Who loved French words—verger, mûr, parfumer)
In order to render its underlying sense.
Know already in that tongue of his
What Pains, what monolithic Truths
Shadow stanza to stanza's symmetrical
Rhyme-rutted pavement. Know that ground plan left
Sublime and barren, where the warm Romance
Stone by stone faded, cooled; the fluted nouns
Made taller, lonelier than life
By leaf-carved capitals in the afterglow.
The owlet umlaut peeps and hoots
Above the open vowel. And after rain
A deep reverberation fills with stars.

Lost, is it, buried? One more missing piece?

But nothing's lost. Or else: all is translation
And every bit of us is lost in it
(Or found—I wander through the ruin of S
Now and then, wondering at the peacefulness)
And in that loss a self-effacing tree,
Color of context, imperceptibly
Rustling with its angel, turns the waste
To shade and fiber, milk and memory.


James Merrill

terça-feira, 13 de outubro de 2009


Ilha dos Outros

Manuel Paulo / Nancy Vieira|MySpace Music Videos










Tom Waits vai lançar um novo álbum em finais de Novembro - Glitter and Doom Live.
Enquanto isso, estão disponíveis 8 músicas para download gratuito.
Get it, NOW!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

sábado, 26 de setembro de 2009





Partindo do relato de um projecto desenvolvido na Estónia em 2008, um grupo de amigos decidiu colocar “Mãos à Obra” e propor “Vamos limpar a floresta portuguesa num só dia”. Em poucos dias estava em marcha um movimento cívico que conta já com cerca de 6000 voluntários.

Neste momento já muitas pessoas acreditam que é possível. O objectivo é juntar o maior número de voluntários e parceiros, para que todos juntos possamos, no dia 20 de Março de 2010, fazer algo de essencial por nós, por Portugal, pelo planeta, e pelo futuro dos nossos filhos.

Muito ainda há a fazer, pelo que toda a ajuda é bem vinda!

A ideia é identificar as lixeiras no interior das florestas e desencadear uma acção de limpeza no dia 20 de Março de 2010 para as eliminiar.
Se quiseres fazer parte deste grupo, inscreve-te aqui.
Uma vez já inscrito, escolhe o grupo mais próximo de ti. Se no teu concelho não existir um grupo, podes sempre cria-lo.

Uma vez inscrito vais recebendo informações, e podes participar no fórum.

O projecto Limpar Portugal está também aberto a parcerias com instituições e empresas, públicas e/ou privadas, que através da cedência de meios (humanos e/ou materiais, à excepção de dinheiro) estejam interessadas em dar o seu apoio ao movimento.

No dia 20 de Março de 2010, por um dia, vamos fazer parte da solução deixando de ser parte do problema.

“Limpar Portugal? Nós vamos fazê-lo! E tu? Vais ficar em casa?"


sábado, 19 de setembro de 2009


A minha baleia está há 7 dias no mar e ainda lhe faltam 5528 milhas (ou Km, não dá para perceber) para chegar ao Japão. Diria que mais uns 20/22 dias para lá chegar.
A Greenpeace está a promover uma campanha, cujo alvo é o governo Japonês, com o objectivo de alertar para a necessidade de parar com as atrocidades que se cometem contra estes animais fantásticos, verdadeiros cruzadores dos mares.
Assim, se acreditas nestas causas, envia a tua baleia aqui.


CANTARES DOS BÚZIOS

Meu coração é um búzio
onde em perpétuo rumor
se alonga a minha saudade
e murmura o meu amor.

Afonso Lopes Vieira, Ilhas de Bruma, 1917.


Remexer nos livros e ter o prazer de encontrar, pela mão do poeta, a palavra feita escultura, uma das mais belas.
Tardes soalheiras, de retiro e reencontro.
Momentos para repousar e vaguear na solidão boa acompanhada da palavra, da luz e da brisa quente que sopra aqui fora.
Afinal, o verão ainda não foi embora.


segunda-feira, 14 de setembro de 2009


Esta coisa da campanha eleitoral é um pouco como os saldos.
Há uma época para eles, mas muito antes já andamos a olhar para as inúmeras promoções, de tal forma que por vezes é maior o tempo que as lojas passam em promoções e descontos, do que com os preços ditos normais.
Agora entrámos em época de saldos na politica e é vê-los acotovelarem-se com argumentos cozinhados por dezenas de assessores da Comunicação (que nós pagamos) e com promessas de última hora para ganhar mais uns votos.
E entram assim nas nossas vidas sem que os queiramos cá.
A semana passada até sonhei que o Louçã tinha ganho as eleições, logo eu, que nunca me lembro dos sonhos.
É a Loucura!
Só é pena que não existam eleições todas as estações…

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Chris - Claire Harvey

De entre um certo número de coisas que não gosto, há uma que me deixa com uma certa melancolia: sentir os dias cada vez mais pequenos, que a noite caí cada vez mais depressa e que o sol inscreve o seu movimento de rotação semi-circular cada vez mais baixo no céu.
Os dias vão ficando mais frescos. O Verão anuncia a sua saída.
De todas estas coisas, há apenas uma boa: a luz da manhã que me entra pelas janelas dentro, e se estende, languidamente, ao longo do dia, no chão, num rasto perpétuo de luz e calor, projectando sombras sinuosas pela casa adentro, avivando cores, aquecendo o ar, preparando-o para a chegada do senhor que se segue.
Lembra-me que devemos tirar o máximo proveito dos dias, que devemos procurar o melhor que cada um deles tem para nos oferecer, para ser descoberto, que há uma rara beleza escondida em todas as estações.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

























Amo-te nesta ideia nocturna da luz nas mãos
E quero cair em desuso
Fundir-me completamente.
Esperar o clarão da tua vinda, a estrela, o teu anjo
Os focos celestes que a candeia humana não iguala
Que os olhos da pessoa amada não fazem esquecer.
Amo tão grandemente a ideia do teu rosto que penso ver-te
Voltado para mim
Inclinado como a criança que quer voltar ao chão.

Fotografia parcial de uma obra de Joana Vasconcelos

quarta-feira, 19 de agosto de 2009


...lembra-me que, o que vale mesmo a pena, é experimentar, viver intensamente cada instante e não passar ao lado daquilo que nos faz sentir bem, e ao outro.

Pois é...
Já voltei de férias :)
Mas a vontade e a energia é pouca.

segunda-feira, 27 de julho de 2009





Do oito ao oitenta...
E depois de umas horas bem sofridinhas, entaladinha com "coisas" de última hora (que eu há dois dias que não penso noutra coisa senão nas férias) vou-me ao calor e à boa vida, que eu não gosto só de trabalho e gosto mesmo é de vida muito boa.
Vou para aqui, tentar não fazer grande coisa, passar o tempo entre a praia e a esplanada, que tem umas saladas deliciosas...
Até ao meu regresso.


segunda-feira, 20 de julho de 2009




Fonix!
Mas que raio de raiz é que eu plantei para colher o raio de vida que ando a ter?!
Entre desabafar e um saco de boxe, às vezes, dava um certo jeito um muro, uma parede bem dura e rugosa para andar ao murro e ao pontapé.
Assim, ia de baixa médica, psiquiátrica, e acabava-se logo o stress.

O país está uma loucura.
As pessoas vão de férias mas ficam em casa, na cidade, nos centros comerciais, a entupir as avenidas, arrastando-se pelas estradas em passeio.
Os políticos aceleram na auto-estrada rumo ao poleiro, com promessas de toda a espécie e feitio (e eu pergunto: será que nos tomam por parvos? ou será que somos mesmo parvinhos de todo?)
Não devia ser possível haver tantas eleições num ano só, e com tão pouco tempo de distância entre elas.
Por outro lado a política deveria deixar de ser um jogo que se joga para marcar pontos e vencer, custe o que custar.
Estou cansada de tanta jogatana suja, irresponsável e imoral.
Alguém recebe as páginas dos classificados dos jornais de Zanzibar?!
Estou a precisar de mudar de trabalho, de rumo e de vida.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Autor desconhecido

OK!
Bem sei.
Este cantinho tem andado meio abandonado...
Mas só pelas palavras e pelas imagens, que eu venho aqui quase todos os dias limpar o pó, varrer o chão e ligar-me a outros cantinhos que gravitam em torno daqui.
Acho que já nem adianta dizer que o trabalho ultimamente me corroí até aos ossos, porque na verdade eu até já ando cansada de me ouvir dizer o quanto as minhas horas são completamente preenchidas ou abafadas por ele. Até eu já penso, por vezes, que só posso estar a mentir, ou que sou uma exagerada, tal é a frequência com que ando a dizer que tenho muito trabalho, e que tenho pouco tempo, e coisa e tal...

- Ninguém pode ter assim tanto trabalho a ponto de não ter tempo nenhum, sequer para vir aqui postar qualquer coisinha...

Pois não. É por isso que hoje, além das habituais varidelas, resolvi enfeitar a jarra com flores.

domingo, 28 de junho de 2009

Alexander Calder



Al cabo, son muy pocas las palabras
que de verdad nos duelen, y muy pocas
las que consiguen alegrar el alma.
Y son también muy pocas las personas
que mueven nuestro corazón, y menos
aún las que lo mueven mucho tiempo.
Al cabo, son poquíssimas las cosas
que de verdad importan en la vida:
poder querer a alguien, que nos quieran
y no morir después que nuestros hijos


Amalia Bautista

Este, surripiei-o daí da net, mas creio que a minha grande amiga a quem o surripiei hoje de manhã não se vai importar, que eu até já tinha dito que um dia o faria, e ela anda tão entretida que nem vai reparar, porque de uma maneira ou de outra (e diria que de várias maneiras, intensidades e sentidos) existem pessoas que nos movem o coração e poucas coisas que realmente importam na vida: as pessoas e o amor, o sorrir e fazer sorrir, o estar sempre lá, mesmo que não estejamos fisicamente, o sabermos aproveitar todos os momentos para fazer dos dias lugares comuns, o sentirmos que nos amam e perceber, aos poucos, qual o caminho percorrer. Sentir a luz e o calor sobre ele, fechar os olhos e sentir/sorrir.
E apeteceu-me, hoje de manhã, partilhar, apesar do dia ter nacido, lá fora, meio cinzento e húmido. Só isso.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sally Gal, Geometry Lesson, 1997.


é preciso perguntar pela perfeição
é preciso perguntar pela perfeição quando nesse
silêncio desembarcam palavras (escrever letras colher
flores) é preciso perguntar pela fronteira quando em
pétalas de begónia se esconde a linha que divide essas
cidades. assim mesmo não existe tempo para cuidar da
terra (L. e eu somos amigos falamos frequentemente
desse inatingível: perder o lugar das coisas ganhar o
silêncio do sítio por elas desocupado). nunca entendi
muito de chuvas mas eis o inverno e no inverno passo
por cima das mais pequenas águas esqueço por isso
a pergunta: qual a regra do acaso? há muito tempo
que a chuva para cair pede licença e pousar palavras
na certeza é um risco. na seiva dessas plantas
reconheces pinheiros? (ou apenas erva daninha).


João Luís Barreto Guimarães
Porto, 1967

terça-feira, 16 de junho de 2009

Esplanada, espectacular, sobre o mar, algures em Vale do Lobo, no final do almoço.


Um dos grandes problemas de vir de férias é a quantidade de trabalho que nos espera. É que às vezes é tão grande que nos leva a pensar em nem sequer ir de férias.
Ou isso, ou não voltar e fazer da vida umas grandes e prolongadas vacaciones...


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Baía da Arrifana - Aljezur.


Existem lugares onde a alma parece pertencer e aos quais regressamos, de tempos a tempos, e nos sentimos rejuvenescer.

A Costa Vicentina está repleta deles, por entre as falésias e escarpas, praias de areia branca e cascalho negro, território selvagem que o betão ainda não conquistou, de uma beleza quase sagrada, perdida, como que esquecida, e nos surpreende de todas as vezes que voltamos. Gente de sorriso no olhar e gestos largos.

Existem momentos de extraordinária serenidade e partilha que são impossíveis descrever. Tempo sem tempo algum a registar.

Agora vou rumar a outro destino. Até breve.



Abro uns parênteses, depois de regressada da primeira parte das férias, para deixar aqui mais uma pérola politiqueira... ainda há quem pense assim.
Lamentável!
Das duas uma: ou o senhor está a dizer isto com toda a convicção, e é grave, pois denota um total desconhecimento sobre a questão da homossexualidade, uma falta de sensibilidade e de cultura que é grave em quem tem responsabilidades de governação da coisa pública, mesmo que de uma autarquia (que gere áreas tão importantes e sensíveis como a educação, cultura e acção social), ou então o senhor foi levado pelo "calor do momento" e é capaz de dizer qualquer coisa para ganhar votos.

Seja como for, é grave!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Zimbreirinha, 2007.


A grande chatisse de ir de férias é o trabalho que elas dão até, finalmente, batermos com a porta.
Ele é o trabalho a dobrar no serviço, as horas infindáveis que passamos a terminar mais isto e aquilo (e há sempre qualquer coisa que fica para trás, menos o telemóvel que mói o juízo), as compras, as arrumações em casa (para quando chegar não ter de me matar a trabalhar nas limpezas), passar a ferro, arrumar a roupa, fazer as malas e tentar não me esquecer de nada.
Mas é assim... moídinha mas prestes a zarpar rumo ao sol, e ao mar, e ao cheiro bom das coisas boas, ao sabor bom das coisas deliciosas, ao dolce fare niente, como eu gosto, de vez em quando.
Estes dias poderão confundir-me como uma qualquer lagarto ao sol, arrastando-se da areia para o mar e do mar para areia... Até daqui a uns dias.
(e para quem não vai de férias, bom trabalho. Também há-de vir a vossa vez. É o que vale!).

quarta-feira, 27 de maio de 2009



Farinelli é um filme carregado de emoções que provoca em nós uma certa sensação de estar próximos de algo divino. Tem tanto de doce, trágico, extravagante, como de assustador, e revolve, quase faz saltar o coração do peito.
É também um interessante retrato social de uma época, de um determinado circulo onde a musica e as artes em geral tinham um papel importante e no qual os dias eram vividos num ambiente de excentricidade e de exuberância.
Farinelli, ou Carlo Broschi, foi um dos grandes, senão o maior cantor castrati de que há memória, que viveu na primeira metade do século XVIII, e que conseguia produzir cerca de 250 notas com uma só respiração e sustentar uma nota durante mais de um minuto.



Farinelli tem uma voz de soprano ligeiro, completa, rica, luminosa e bem trabalhada, com uma extensão que abrange desde o Lá debaixo do Dó central a Ré três oitavas acima do Dó médio... Sua entonação era pura, seus vibratos maravilhosos, seu controle sobre sua respiração era extraordinário e sua garganta muito ágil, porque cantou os intervalos mais amplos rapidamente e com a maior facilidade e firmeza. As passagens das obras e todo tipo de melismas não representaram dificuldades para ele. Na invenção das ornamentações livres nos adágios foi muito fértil.
Johann Joachim Quantz
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Um filme a não perder!



Farinelli: Il Castrato (1995).

domingo, 24 de maio de 2009

Václav Cigler
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Não tenho nada a dizer.
Custam-me as palavras de tanto que elas embatem contra. Um vidro transparente.
Tanto quanto eu embato e me magoo.
Magoa-me este vidro transparente que não sei se deturpa, se espelha, se me deixa ver, além. Que me separa do outro lado onde quero chegar, onde teimosamente, involuntariamente continuo a querer chegar.
Às vezes não tenho palavras, tanto quanto não tenho braços. Enterro-os.
Tanto quanto cavo o buraco fundo onde em vão enterro esta matéria do peito que revolve e se diminui a não ser.
Às vezes é difícil caminhar.
Sem ar.
Cega.
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terça-feira, 19 de maio de 2009

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sobre a água estarei solto de caminhos
dos que vierem nenhum barco é para ti
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não deixes a candeia acesa
dorme: basta-me essa luz
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Daniel Faria

Paul McCarthy - Complex Shit
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Recebi por e-mail. Desconheço o autor mas parece-me muito oportuno e pergunto-me como se sentirá esta geração de "rebeldes" daqui a uns 15/20 anos... Parece-me que vamos ter de aturar muitos putos birrentos de frustração com 30 e 40 anos.


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Geração rasca para geração merda (vale a pena ler....)

"A SIC montou uma gigantesca campanha de promoção para a sua nova série/novela/monte de merda, que dá pelo nome de Rebelde Way. Depois de anos a apanhar bonés, percebeu que a melhor maneira de combater a morangada da TVI era...imitar. É lógico. Era inevitável. Depois de 20 minutos a ver a nova série (o que me provocou uma crise de cólicas da qual só um dia depois começo a recuperar) sinto-me preparado para uma análise. Bora lá. A fórmula é a mesma nos dois canais. Aqui fica a receita:

1 - Pitas boas. Muitas, quanto mais descascadas melhor (as séries de verão são, naturalmente, as melhores, porque eles vão todos juntos para a praia).
2 - Gajos "estilosos". A coisa divide-se em dois: há aqueles que têm quase 30 anos mas fazem de adolescentes, e depois há os que são mesmo adolescentes. Estes últimos são aqueles que se levam a sério enquanto "actores". O requisito essencial para qualquer gajo que entre nestas séries é ter um penteado ridículo.
3 - O Rebelde Way tem gajas do norte. Fazem de gajas daqui, mas aquele sotaque é fodido de perder. Fica ridículo, mas as gajas são boas.
4 - Nos Morangos, a palavra "pessoal" é dita 53 vezes por minuto, normalmente inserida nas frases "Eh pá, pessoal!", no início de cada conversa, ou então "Bora lá, pessoal", antes do início de qualquer actividade.

Agora vamos à bosta que a SIC acabou de parir, com pompa, circunstância, varejeiras e mau cheiro. Chama-se Rebelde Way. Cool, man! O slogan dos Morangos era "Geração Rebelde", mas a inspiração deve ter vindo de outro lado, de certeza. O que me irrita na poia da SIC é que os gajos são todos betinhos (até os mânfios são todos giros e cool e com uma caracterização ridícula, como se fossem a um baile de máscaras vestidos de agarrados ou arrumadores de carros). Mas depois são bué rebeldes. São bué mauzões, man! A brincar com os seus iPhone, com as suas roupinhas fashion, grandes vidas, mas muita mauzões.

Se há algo que esta geração de morangada não pode ser, não tem direito a ser, é ser rebelde. Rebelde porquê, contra quê? Nunca houve em Portugal geração mais privilegiada do que a actual, à qual esses putos pertencem. Nunca qualquer puto teve tanta liberdade e tanta guita no bolso como esta malta. Nunca as pitas foram tão boas e tão disponíveis para foder com a turma inteira como agora. Nunca houve tamanha liberdade de mandar os pais à merda e exigir uma melhor mesada porque é altura dos saldos. Rebelde porquê? Em nome de quê?

É claro que isto são pormenores com os quais as novelas não se deparam, nem têm de o fazer. O objectivo é simples: para uma geração tão privilegiada como aquela que é retratada, há que criar uma rebeldia fictícia, porque não é cool ser dondoca aos 16 anos. Mas é o que todos eles são.

Há uns tempos vi, no Largo do Carmo, um bando de uns 15 putos e pitas, vestidos à "dread" com roupinha acabada de comprar na "Pepe Jeans".Um dos putos que ia à frente, não devia ter mais de 16 anos, vem a falar à idiota como se fosse dono da rua, saca duma lata de tinta e escrevinha qualquer coisa de merda na parede. Todos se riram, todos adoraram, e ele foi, durante cinco minutos, o maior do bairro. Não fiz nada, mas devia ter-lhe partido a boca toda.

Todas as últimas gerações antes desta (incluindo a minha, a Geração Rasca, que se transformou na Geração Crise - bem nos foderam com esta merda) tiveram de furar, de lutar, de fazer algo. Havia uma alienação mais ou menos real, que depois se podia traduzir nalguma forma de rebeldia. Não era o 25 de Abril como os nossos pais. A nossa revolução é a dos recibos verdes e da consolidação orçamental. Mas esta morangada sente-se, devido à merda que a televisão lhes serve e aos paizinhos idiotas que (não) a educaram, que é dona do mundo. Quando já és dono do mundo, vais revoltar-te contra quem? E por que raio haverias de o fazer?!

E assim vamos nós. Com novelas de putos "rebeldes", feitas por "actores" cujo momento de glória é entrar numa boys band ou aparecer de cú ao léu na capa da FHM, ensinando a todos os outros putos que temos que ter cuidado com as drogas (mas todos os agarrados são limpinhos, assépticos, com os mesmos penteados ridículos), que a gravidez adolescente é má (mas todas as pitas querem foder à grande, porque são donas da sua própria vida e os pais não sabem nada, etc) e que, sobretudo, este mundo lhes deve alguma coisa.

Os tomates. A mim e aos meus, o mundo deve alguma coisa. Aos que foram atrás da merda do canudo para trabalhar num call center, aos que se matam a trabalhar e são forçados a ser adultos antes do tempo. Não a esta cambada de mentecaptos. E depois estas séries vão retratando "problemas sociais da juventude", afagando a consciência de quem "escreve" aquela merda, enquanto ao mesmo tempo incentivam esta visão egocêntrica, egoísta e vácua desta geração acabadinha de sair do forno.

Talvez eu esteja a ficar velho e a soar como o meu pai. Lamento se não é cool. Mas esta merda enoja-me.
Vão ser rebeldes pó caralhete.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Robert e Shana ParkeHarrison

Há muito tempo que não começava a trabalhar tão cedo, na tranquilidade e silêncio de inicio de dia, a uma hora da azafama característica do inicio dos dias. Quase me esqueci de como era levantar cedo, ainda o prédio dorme, e sair aos primeiros raios de sol, ainda fresco, mas com o ar já a aquecer.
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Temos dias em que o que precisamos é de reorganização, reorientação, encontro interior, estabilidade. Dias para parar e repensar. A partir daí, um dia havemos de chegar a este ponto, em que tudo está pronto e à nossa espera para ser algo de novo, porque cada dia que começa é um universo de possibilidades que por vezes não são o que pensávamos ser, e quando assim é, é essencial arrumar a bússola, caminhar. Um dia, quando a retirarmos do bolso, ela marcará um novo rumo.
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Um dia arrumei o verão. Hoje parece que o tirei do bolso. Será que permanecerá?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Levei com um selo da Orquidea.
Tenho de enumerar 5 blogs que adore ler.
Tenho ainda de enumerar 5 coisas que adore...

Blogs

Dentro do copo vazio
Precious Thing
Rua do Arco Iris
Viagem Les
Meia Volta

Coisas que adoro

Cheiro do mar/maresia
A luz da manhã
A luz de Janeiro ao entardecer
Cheiro a terra molhada
Pessoas e viagens, viagens e pessoas

Agora é suposto que os boggers enumerados façam o mesmo.
Be my gest.

domingo, 10 de maio de 2009

Robert and Shana ParkHarrison, Bloodroot.
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Há uma espécie de massa densa que pesa no peito, como quando nos sentimos interiormente assombrados, ensombrados.
Dentro uma névoa, casulo, e uma espécie de tendência de auto-destruição interior para apagar os passos, partir os fios que se tecem e nos norteiam, e fundeiam num ancoradouro que sabemos não ser, correr, rasgar e sair para o sol.
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Robert and Shana ParkHarrison, Mourning Cloak.


A tua vida é uma história triste.
A minha é igual à tua.
Presas as mãos e preso o coração,
Enchemos de sombra a mesma rua.

A nossa casa é onde a neve aquece.
A nossa festa, onde o luar acaba.
Cada verso em nós próprios apodrece,
Cada jardim nos fecha a sua entrada.


Eugénio de Andrade, em As Mãos e os Frutos.



Robert and Shana ParkHarrison, Summer Arm

quinta-feira, 7 de maio de 2009




Há dias em que nos questionamos sobre os caminhos, sobre as estradas que nos conduzem, sobre o lugar onde nos levam.
Percorremo-los todos os dias, sem que queiramos ou tenhamos grande interesse em prender o olhar. Um desses dias paramos, e olhamos melhor. O olhar, distante e amorfo descobre subitamente a beleza e a fragilidade de uma flor. Nesse instante criamos raízes, ali.
Mas as raízes não germinam na frieza e dureza do cimento, e lentamente obrigamos a que sequem.
Não estamos ali.
Não há lugar para nós.



quarta-feira, 6 de maio de 2009


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this love, doesn't have to feel love, doesn't care to be love, it doesn't mean a thing, this love.

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terça-feira, 5 de maio de 2009



Somos os lugares e interiorizamos as cores.
Porto, na Ribeira, porque há lugares suspensos, momentos eternizáveis e partilhas que são indizíveis tão grandes que crescem.
Um dia hei-de ser um lugar assim, e nesse dia não vou querer ser maior. Apenas poder contar com a eternidade dos momentos, até que a alma me doa e o peito expluda de tanto que já não conseguirá guardar.