sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009

domingo, 1 de março de 2009
Benjamin Button...
Ser-se diferente, porque somos afinal todos diferentes, uns mais do que outros, e ainda assim tabelamo-nos todos pelo mesmo, por baixo. Fazemos esforços inimagináveis para sermos iguais, sem compreendermos que o verdadeiro mistério e riqueza das nossas vidas está na diferença e na capacidade de a entendermos, de a aceitarmos, de a absorvermos, fazermos dela parte integrante das nossas vidas. Que a maior magnificência da nossa breve existência reside na capacidade de nos compreendermos e complementarmos.
Compreendermos que os outros se olham com os seus próprios olhos, tal como nós nos olhamos com os nossos, e que é preciso que compreendamos, aceitemos, porque cada um é como é, e cada um merece respeito pelo que é, debaixo da pele, à superfície da pele, mas acima de tudo, dentro.
A diferença perece assustar-nos... a nós cabe-nos ultrapassar o medo.
Estamos todos sós. Uns saberão melhor que outros. Mas estamos. Há porém quem esteja melhor acompanhado, menos só, o suficiente para não sentir frio, para não deixar cair um véu de escuridão sobre o caminho, para que, partilhando, caminhe de mão dada, sabendo-nos ali, ao lado do outro, sabendo-os ali, ao nosso lado, e assim, noa sintamos menos assustados, sabendo-nos mais fortes, fortes o suficiente para derrubar o medo.
Todos temos/sentimos ausência. Temos vazios sem que percebamos que, muito do que nos falta reside fora, é algo vivo, e está no outro, que se abeira, que se dá, que recebemos, a quem nos entregamos, com quem partilhamos. Que o verdadeiro assombro da existência reside na capacidade de partilha, no cuidar, fazer crescer.
Um filme a fazer-nos lembrar a riqueza que está em ser-se genuíno e simples, e tão extraordinariamente puro, tão extraordinariamente compreensível e bom, e Homem, no sentido pleno de Humanidade, e não ter medo de o ser. Um filme a fazer-nos lembrar o quanto é difícil sê-lo, o quanto temos medo de sermos plenos de sentidos, e verdadeiros, e o quanto é importante ser perseverante.
Uma história de Amor, do Acreditar, do ter Fé, do cuidar, do estar incondicionalmente e fazer da vida do outro, que é nossa também, O caminho, um caminho para a felicidade, a verdadeira, que se há-de auto-alimentar. E por vezes sentimos tanto medo do amor…
Uma história a fazer-nos lembrar que temos de ser fortes e lutar contra o que nos assusta, aproveitando aquilo que nos é dado, porque talvez nada seja dado ao acaso. A querer fazer-nos recordar que aqui e agora é o tempo que nos é oferecido, para viver, e ninguém sabe como será amanhã, e que pouco mais é importante do que o agora.
Uma história sobre o auto-conhecimento, o entender-se o verdadeiro significado da vida, da nossa vida, do caminho.
O compreender-se enquanto indivíduo, a descoberto de qualquer aparência e do acessório e não ter medo de pisar o mato, o caminho, fazer o trilho, o mais certo, o que nos trouxer mais plenitude, mesmo que difícil.
Um filme sobre o ser-se Humano, sobre a importância das nossas escolhas, a lembrar-nos, permanentemente que, aquilo realmente importante somos nós, e nós somos como somos, e que somos nós que fazemos acontecer.
Um filme sobre o quão importante somos, mas apenas se medirmos a partir de nós até ao outro e do outro até nós. A lembrar que gosto de mim, que gosto de ti, que amar é uma bênção e que somos nós que decidimos o que queremos fazer com o que temos para dar, com o tempo que nos resta. Que o destino é apenas um, igual para todos, e a nós só nos é dado a escolher a forma como vamos lá chegar, que nos cabe a nós decidi-lo.
É um filme sobre tanto que eu poderia ficar aqui a escrever sobre um sem número de aspectos, sentimentos que me percorreram a derme e me fizeram rir e chorar, alternadamente, tantas vezes, de tão simples e tão puro. Mas tão extraordinariamente belo que até dói.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Mais uma obra fruto do todo-poderoso imaginário criativo, surrealista e alucinado de Kusturica, que do grosseiro e do feio inventa a beleza quase pura.
Muitos dirão que se trata de mais um filme Kusturica, cuja fórmula se repete filme após filme. É verdade. Nada que chegue ao Underground (para mim o melhor) ou ao O Tempo dos Ciganos. Mas há em todos eles, e este não é excepção, uma inesgotável fonte criativa e de energia, de rudeza que atrai pela surpreendente beleza, uma mensagem cultural, politica e social subterrânea, arremessada, e planos cada vez mais surpreendentes.
Mas o que mais encanta nesta história é a construção do amor, a construção da sedução e a ambiência naífe de um pequeno microcosmos onde os afectos acontecem no meio do caos, onde a paixão fervilha e caminha em apoteose surreal para um “happy end”.
Promessas, de Emir Kusturica, estreou directamente para DVD em Novembro de 2008 e é uma verdadeira delícia. A não perder!
Sinopse
Promisse Me This
Tsane vive com o avô e uma vaca, Cvetka, no topo de uma longínqua montanha. À excepção de uma vizinha professora, são os únicos habitantes da aldeia. Um dia, o avô de Tsane revela-lhe que está a morrer. Obriga Tsane a prometer ir à cidade e vender a vaca Cvetka num mercado. Com o dinheiro, deve comprar: um ícone religioso; algo que queira; e finalmente, deve encontrar uma esposa e trazê-la para casa. Na cidade, Tsane facilmente cumpre as duas primeiras promessas, mas como voltará a casa com uma esposa antes que o avô faleça? É então que conhece Jasna, que está atrasada para as aulas, para variar…
domingo, 6 de julho de 2008
domingo, 22 de junho de 2008
segunda-feira, 26 de maio de 2008
a partir de certa altura, a vida pode sair-nos da mão, ficar fora de controle. perseguimos sonhos. construímos alicerces, paredes e tectos. casas. sem darmos por isso tecemos ciladas. amarras. numa fracção de segundos, todos, menos nós, passam a controlar-nos.
deixamos de ter vontade própria. tornamo-nos escravos dos monstros que criámos. passamos a corresponder às expectativas do monstro… o corpo é frágil e prega-nos uma partida. sentimo-nos indefesos. sentimos medo e estamos sós.
um filme bem mais profundo, a explorar, através das entranhas do mais sórdido que temos dentro de nós, e simultaneamente, do que temos de mais inocente...
música... excelente!
Querida Annik,
Eu sei que me imponho na tua vida, não tu na minha.
Há dias pensei que as coisas estavam a tronar-se mais claras, mas vejo agora tudo desmoronar-se à minha frente.
Pago um preço caro pelos erros passados.
Nunca me dei conta como um erro cometido há quatro ou cinco anos me faria sentir assim.
Luto entre o que a minha mente me diz ser correcto e uma verdade deformada tal como é vista por outros, que não só são sem coração, como não percebem as diferenças.
A luta entre a consciência do Homem e o seu coração, até as coisas irem longe demais e não mais poderem ser corrigidas. No fim será tudo tão desprezível?
Não haverá mais nada?
Que haverá para além? Que resta para continuarmos?
Ian Curtis - Control
quarta-feira, 14 de maio de 2008
domingo, 11 de maio de 2008
O ideal era viver para além das paixões e dos sentimentos, na harmonia que existe na obra de arte acabada, na sua ordem encantada.
O ideal seria conseguir amar-nos intensamente, para conseguir viver fora do tempo, imperturbáveis… imperturbáveis.
La Dolce Vita, de Frederico Fellini, com Marcello Mastroianni, Anita Ekberg, Nadia Gray, Yvonne Furneaux, Anouk Aimée, Magali Noe, Alain Cluny and Lex Barker - 1960.
terça-feira, 6 de maio de 2008

The Mist.
Um filme sobre as veredas do medo, do mais frio e cortante terror, sobre as entranhas das fundações que sustentam a natureza humana e os limites da razão, sobre o limiar da perda do juízo e o passar para o outro lado.
Uma das abordagens que mais gostei foi a realizada à personagem fanática religiosa, acima de tudo a evolução desta personagem, a evolução do seu fanatismo, das suas crenças, das suas relações e da sua influência sobre os outros, as proporções que essas relações vão tomando, todos os seus significados, e a questão do poder, a forma como se alimenta do poder e a forma como o exerce sobre os outros.
Trata-se também de um filme sobre o poder, do sujeito e do objecto do poder, sobre os seus vários rostos face ao terror crescente do desconhecido e à necessidade de sobreviver.
É um filme meio apocalíptico (e violento – ah, e lá estavam as aranhas, que até me torci toda na cadeira), mas surpreendente.
E surpreendente e absolutamente admirável é o final, de génio (ao que parece, segundo me disseram, o final do filme não é o mesmo do livro, nem do Stephen King).
Trágico também, angustiante, especialmente porque envolve uma criança, que ao longo do filme parece ser como que o rei no tabuleiro, se estivéssemos a falar de xadrez.
Bom, mas assustador, assustador… foi a quando a minha amiga que me desafiou para ir ver o filme se engasgou numa pipoca e eu tive de a puxar para fora da sala sem perceber muito bem o que estava a acontecer. Assustador porque realmente ninguém está à espera que aconteça uma coisa destas, que alguém comece a agitar os braços e agarrar-nos o braço com uma força imensa sem conseguir respirar, por causa de uma pipoca atravessada na garganta (percebi depois, já fora da sala).
Mas acima de tudo é mesmo assustador porque não houve ninguém que se importasse sequer, ninguém se mexeu, ninguém ajudou, ninguém parecia muito incomodado, tirando o facto que estarmos a tapar a visão a algumas pessoas que estavam atrás, e eu garanto que devemos ter levado pelo menos um minuto a sair da sala, a moça sem conseguir respirar e eu a puxa-la (como podia) pelo tronco, e embora o ruído e a agitação, népias!
Mas correu tudo bem e não foi preciso chamar os bombeiros nem nada disso. Só uma pipoca atravessada na garganta.
Acho que a moça vai ter mais uma história para contar…
Voltando ao filme, recomenda-se!
sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ainda estou a assimilar o filme, e não fosse hoje ter “merendado”, teria juntado a digestão do jantar ao banho de sangue, e isso sim, seria uma tragédia…
Uma coisa é perceptível: com tamanha violência (que se dá, gratuitamente), aquele país não é nem para velhos nem para novos, apenas para gente louca.
Bom argumento, boa realização e a prestação de Javier Bardem é excelente. A de Tommy Lee Jones, ao seu jeito e igual a si próprio, também.
O fim deixa-nos assim, meio a seco e perdidos no deserto…
quinta-feira, 17 de abril de 2008

Por fim, depois de passarem pelo cárcere e pela tortura, são fuziladas a tiro por uma bateria de jovens soldados.
Uma das linhas condutoras do filme, subtil, implacável, é a presença e o trato da inocência. A inocência em decrescente, quase profética. A inocência das personagens, na ignorância das consequências dos actos, no desconhecimento do que estava para a vir, na impetuosidade dos gestos e dos ideais, no companheirismo e no desespero. Uma inocência que se adivinha trágica a cada minuto que passa, acutilante.
É um filme de época, bem trabalhado do ponto de vista histórico, mas por ventura até de forma atenuada, e ainda assim, muito credível.
Um documento artístico e histórico, para inscrever certos acontecimentos na memória, assimilar, sem floreados ou explicações inocentáveis.
Trata-se de uma das tantas histórias da Espanha, e também do Portugal - porque não dizê-lo - desta época, de certa forma até uma das menores, perante certos outros episódios aterradores da mesma História perpetrados pelo regime franquista, como foi o da matança de Badajoz em 1936, na qual, em apenas dois dias, foram fuzilados cerca de dez mil espanhóis na Praça de Touros de Badajoz, alguns entregues pelo Regime de Salazar a Franco, apanhados pela policia portuguesa ao tentarem fugir para Portugal.
domingo, 23 de março de 2008
Poderia dizer mais sobre o instinto mais básico de cada um de nós, sobre o lado mais selvagem, sobre a necessidade de, por vezes, fugir da vida artificial, material e frenética da cidade e do mundo em que vivemos, sobre o colocarmo-nos à prova, mas não vou. Fico-me por aqui.


