Temos tanto e tanto medo de naufragar, de nos deixar ir, entrar dentro de uma qualquer ilusão de lugar que não é, tal é o ruído, de fazer um caminho que não tem onde chegar.
Passamos as horas a apanhar papeis. Quando chegamos ao fim do dia, sentamo-nos, de corpo vazio.
Somos altivos. Não nos tocamos. Bombeamos o sangue apenas na medida do necessário. Não deixamos os músculos ganharem força. Não libertamos. Por fim temos medo que a frieza do corpo enrijecido possa contaminar-nos, congelar o sangue e provocar-nos a morte.
Às vezes pergunto-me se não teremos já morrido.
Passamos as horas a apanhar papeis. Quando chegamos ao fim do dia, sentamo-nos, de corpo vazio.
Somos altivos. Não nos tocamos. Bombeamos o sangue apenas na medida do necessário. Não deixamos os músculos ganharem força. Não libertamos. Por fim temos medo que a frieza do corpo enrijecido possa contaminar-nos, congelar o sangue e provocar-nos a morte.
Às vezes pergunto-me se não teremos já morrido.
