… o que conta não é a manifestação do desejo, da tentativa amorosa. O que conta é o inferno da história única. Nada a substitui, nem uma segunda história. Nem a mentira. Nada. Quanto mais a provocamos, mais ela foge. Amar é amar alguém. Não há um múltiplo da vida que possa ser vivido. Todas as primeiras histórias de amor se quebram e depois é essa história que transportamos para as outras histórias. Quando se viveu um amor com alguém, fica-se marcado para sempre e depois transporta-se essa história de pessoa a pessoa. Nunca nos separamos dele.
Marguerite Duras em “Mundo Exterior”.
...devia estar a estudar, mas não estou, porque arranjo sempre outra coisa qualquer muito mais interessante para fazer do que aquilo que devia, geralmente daquelas que muitas vezes não tenho tempo para fazer. Sabe tão bem...
Revisito espaços de outros tempos. O texto é oportuno. Sempre foi, apesar da discussão que já surgiu em torno dele, da ideia, do contexto e da estrutura, durante muito tempo. Mas quem sabe de histórias únicas, de verdadeiras primeiras histórias, sabe do inferno.
Não há antidoto. Não se exclui, expele, ignora, esquece. Faz parte de nós. Camada.
Há apenas que deixar que a história tome conta de nós e encontre o seu lugar dentro, deixar que se arrume, em lugar próximo do centro. Sedimento.
E é bem verdade que se não for pela tentativa da história única, nem vale a pena dar um passo. E ela pode ter tanto de amargo quanto pode ter de doce...
