domingo, 13 de janeiro de 2008



Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.

Albano Martins in Escrito a Vermelho


sábado, 12 de janeiro de 2008

Brassai - Le Pont Neuf

Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem diminui-me, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.
Ernest Hemingway in Por Quem os Sinos Dobram.


Hoje sou mais istmo.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008



Inês Pedrosa, em entrevista à revista Única (publicada na edição de 5 de Janeiro) afirma a determinada altura que: “Com o 25 de Abril, libertámo-nos por um momento de uma série de medos. Mas, apesar de ter muita admiração pela data [?!?!?!?!], pergunto-me: o 25 de Abril, o que foi? Foram os Portugueses que se revoltaram? Não. Foram alguns militares corajosos que se irritaram, porque se sentiam maltratados em relação aos do quadro, e que, por uma questão cooperativa, lançaram o 25 de Abril; as pessoas foram atrás. Mas porque é que aguentaram 40 anos a ditadura? Porque a mereceram.”

… sr.ª Inês Pedrosa, fale por si!
A sr.ª está a precisar de aprofundar os seus conhecimentos sobre história contemporânea de Portugal, porque a sua afirmação é, no mínimo, naife!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Carlos Nogueira - casa com esquina a céu aberto - 2005, ferro, madeira, vidro, luz e cheiro - 90x270x180cm

A crítica, tal como existe presentemente nos “media”, não é mais que um mero instrumento ao serviço dos negócios da cultura. Assim sendo, toda a arte verdadeiramente independente que existe à margem desses negócios não é objecto de crítica e, como tal, parece não existir na sociedade de informação, que, afinal, não informa. Mas existe, essa arte existe!
Nuno Rebelo – Revista Actual, edição n.º 1836 de 5 Janeiro 2008, Sul.

Essencial para o constante aperfeiçoamento de qualquer actividade que façamos. Sem esse olhar terceiro sobre o que cada um de nós produz, o sistema funciona de modo incompleto, torna-se demasiado autocentrado e redutor. Mas existem críticas e críticas, claro. Quanto mais assertivo, corajoso, inteligente e imparcial é o critico mais significativo pode ser o seu olhar. Acima de tudo, a crítica relativiza e tem um potencial desestabilizador e desafiante que é altamente estimulante, fundamental, para o processo de criação. Sabe uma coisa? Há falta de verdadeira crítica sobre design em Portugal…
Guta Moura Guedes - Revista Actual, edição n.º 1836 de 5 Janeiro 2008, Sul.

Não poderia estar mais de acordo.
Se bem que me parece que há verdadeira falta de crítica em tudo.
Não é só sobre Design.
E de auto-critica também.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Luiz Pacheco
Passou ontem na RTP2 a propósito do desaparecimento no passado Sábado de Luiz Pacheco.
Aqui ficam alguns pedaços.

(para ouvir convenientemente, é favor desligar o rádio lá em baixo. Obrigada.)


O Cachecol do Artista


O Tradutor


Os Amigos


O Crítico - O caso do sonâmbulo

Ás vezes, palavras duras, definitivas, a luta dos indivíduos (a morte ou a vida), e chacotas pelos fracassos de cada um, e arremessos de mau, génio, e vampirismo, pois então. Somos puros.
Comunidade (1964)


domingo, 6 de janeiro de 2008




Eu até era capaz de vomitar o mundo num esgar, sem piedade, mas a verdade é que não me levo a sério, nem posso, e também sei que há três segundos atrás eu não era eu.





Os videos são da exposição de Xana O Falso Diário de A.B., patente na Central Tejo - Museu de Electricidade, de Julho a Setembro de 2007.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Rui Chafes - Eu sou os outros


somos, não somos…?
somos um, ou a soma das partes?

somos os laços, as dores, os braços, somos os amores.

ou cães vadios, com cio?

ou somos simplesmente sós?
ou múltiplos novelos de fios em ferro forjado, enferrujado, emaranhados?

somos o que sentimos por fim

e eu nunca parti do principio que sou o limitadíssimo ponto do meu umbigo
simples

...é!
tudo parece certo assim
sente-se

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008


Daniel Senise, "CEM"(884-07)

Iniciar mais um ano, além do ritual de inicio de novo calendário, do recomeço de processos, significa muitas vezes também, sentir desejo de iniciar um tempo novo, uma vida nova, cortando os fios que nos ligam aos dias antes, ignorando, ingenuamente, a linearidade e sequencialidade de tudo.
O desejo não tem de estar sujeito à razão, e não está, creio, e se eu deixar de ser pragmática, apenas que seja por uma hora, talvez me permita sentir o desejo de cortar os fios, reduzi-los a cinzas e avançar, deixando atrás de mim a fogueira consumindo-se, extinguindo-se, espraiando-se em pó.
O pragmatismo também nos permite discernir, analisar, contornar obstáculos, emendar caminhos, permite-nos resgatar de uma vida de imperfeição e impossibilidades.

Poderá ser então que o desejo seja o motor que nos impele à força para caminhar e o fogo um ritual de catarse e de excreção da frustração.

Não é muito mau não ter coisa alguma, não ter para onde se vai, não ter onde chegar.
E é muito bom estar aqui e ter amanhã para viver.