quinta-feira, 16 de outubro de 2008


Damien Hirst, Golden Calf, 2008

Crise?
Qual crise?!
Sinto-me tentada a concordar com o nosso Primeiro. Não estamos em crise.
A prova-lo o Leilão da Sotheby's de 15 e 16 de Setembro.
Golden Calf de Damien Hirst rendeu a melódica quantia de 13 112 000€ (sim! São milhões!), The Dream 2 962 000€, e mais umas quatro na ordem do meio milhão de euros cada.
No total, o leilão rendeu 140 300 000€…
Sim, são números inimagináveis para a grande maioria de nós, tal como são os vinte mil milhões de euros do fundo de garantia para Portugal, e os quinhentos mil milhões da Alemanha, e por aí fora.
Sabem o que vos digo?
Dediquem-se às artes plásticas, especulem em torno das obras, façam fortuna em alguns meses.
Ou então, esqueçam a loucura e a fortuna e emigrem para uma ilha qualquer ali para os lados da Polinésia, já que as das águas do Pacifico andam meio turbulentas nos últimos tempos.

terça-feira, 14 de outubro de 2008


Ghada Amer, And the Beast, 2004

“Regresso à terra de onde nunca devia ter partido, mas parti, regresso às raízes que nunca devia ter cortado, mas cortei, regresso à casa da qual saí em demanda de mim próprio mas à qual retorno porque o meu objectivo na vida, afinal, é apenas o que me tornar bom filho.”

Rui Zink in Revista Egoísta, Setembro 2008.

vendo bem, o quadro não tem nada a ver com o texto. mesmo nada. em comum só a linearidade longa do tempo em que os descobri. e gostei. só isso.

domingo, 12 de outubro de 2008

Hélio Oiticica

Há uma casa fora de mim, aonde regresso, que tem raízes e seiva. Uma casa de palavras que retemperam e curam. Como um casulo.
Voltar a Daniel Faria:


De neblina somos. Vaidade, faísca
Faúlha daquilo que se extingue, o que se apaga
Inumerável nada

Apedrejas-me com a mesma pedra que me dás
Para o descanso

Pisam-me os cascos do veado em chamas
As hastes emaranhadas no lume

Pelo tacto procuro o caminho das águas
Cego - e os olhos a quererem abrir-se
Como as chagas

Danial Faria, Livro dos Solilóquios.


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Fractal

Alguém está à espera de um milagre hoje? Daqui a umas horas? Lá para meio do dia?
Alguém está à espera de um pouco de humanidade, cidadania e democracia lá para os lados de São Bento?
Não.
Milagres são feitos de pessoas de bem, de pessoas responsáveis, integras e justas. Não são feitos de pessoas hipócritas, amputadas e de vistas curtas. Nem tão pouco de politiqueiros que podem ter tudo (eles pensam), menos as qualidades requeridas, as mais nobres e valiosas que um ser humano pode aspirar a ter (eu nem sei como se conseguem olhar ao espelho de manhã).
Ninguém espere milagres daquelas bandas, nem mesmo a mais simples, justa e nobre legitimação de direitos universais.
Por vezes gostava que se olhassem certas coisas com os olhos com que se olha para a coisa económica, com frieza, com objectividade, com pragmatismo, com total ausência de comoção...
Tanto como por vezes gostava que se olhasse para a coisa económica, do ponto de vista dos valores humanos, do bem-estar universal, ao invés do da materialidade e do individualismo.
Anda tudo às avessas… vamos ver onde no leva este carrossel de pedantes.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008



Este blog está solidário com todos os trabalhadores da Função Pública e em greve.

Reivindica:

Melhores salários;
Vínculos de nomeação para todos os trabalhadores;
Revogação do regime de mobilidade especial e sem precariedade;
Carreiras dignas;
Avaliação justa e sem quotas;

Acima de tudo reclama:

Por uma alteração geral à legislação portuguesa para acabar de vez com a profissão de Politico profissional, limitando para um determinado número de anos (8 a 12 anos) a ocupação de um cargo político, seja ele qual for, e o dobro dos anos para poder voltar a ocupar um cargo;

Que não seja legalmente permitida a promiscuidade político-partidária/profissional de alguns militantes/trabalhadores no que se refere a funções e a cargos públicos e politicos;

Por uma renovação imediata de políticos e candidatos a políticos profissionais, por cidadãos, profissionais especializados das mais variadas áreas, que possibilitem ao país uma gestão profissional dos interesses dos cidadãos e do Estado, em prol do bem-estar geral, independente do bem-estar e interesses económicos e partidários de alguns.

Por honestidade politica e ideológica, por uma real e irreversível assunção dos valores ideológicos de cada partido pelos respectivos políticos e candidatos, bem como a implementação de politicas estruturais e conjunturais em função da ideologia que cada um defende, (ou deveria ter preocupações em defender);

Pela legalidade de todos os direitos consagrados na constituição portuguesa que ainda são vedados a muitos.

Por seriedade política, muita seriedade política, e por vergonha, muita vergonha!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008



balance

sábado, 20 de setembro de 2008



Imaginem
00h30m

Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação. Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento. Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado. Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês. Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas. Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins. Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas. Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo. Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que país seremos se não o fizermos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008




Isto de ter miúdos a andar por casa faz com que conheçamos certas coisas que de outra forma, talvez não viéssemos a conhecer.
Há uns tempos eu e os meus piquenos víamos este filme quase todos os fins-de-semana. Adoravam-no!
Passados dois ou três anos, o meu piqueno (o mais novo) lembrou-se de me pedir para ver de novo.
Resultado: barrigadas de riso!

Irónico e inteligente! E ele percebe-lhe muito bem o sentido.
Bem feita! Dizia ele…

Quanto ao resto… as férias (curtas) já lá vão e o trabalho é mais que muito… Setembro já cá está e o verão passou rápido demais. Será mesmo assim – o tempo passa rápido - ou será mesmo impressão consequência da idade… sei lá!
Bom trabalho para quem inicia agora mais um ano e boas férias para quem passou o verão a trabalhar e vai agora aproveitar uns dias bons de descanso. Eu, fico-me por aqui.