terça-feira, 30 de dezembro de 2008


Robert Smithson, Spiral Jetty, 1970.


A beleza mais nobre não é a que encanta de imediato, que procede por assaltos fogosos e inebriantes (essa facilmente se torna fastidiosa), mas sim a que se insinua lentamente, aquela que transportamos sem o sentirmos e que um dia acontece encontrarmos em sonhos, mas que, depois de durante muito tempo ter ocupado um lugar modesto no nosso coração, acaba por nos possuir inteiramente, por nos encher os olhos de lágrimas, o coração de nostalgia.

Friedrich Nietzsche, Humano, Demasiado Humano.

Poder-se-ia dizer isto mesmo de tantas outras coisas tão importantes… não apenas da beleza, mas de tanto que nos faz Existir, verdadeiramente.

Neste tempo que vivemos, adivinhando um suceder de dias feios paridos dos actos indecorosos de homens ignóbeis, amputados de beleza e de sonhos universais, do grande Sonho Humano, será precisa coragem para saber reconhecer dentro de cada um de nós os Sonhos, os mais belos, para torna-los realidade, pois não creio que estejamos aqui, neste nanosegundo cósmico, para viver num mundo torpe.
Diz-se que o mundo é aquilo que fazemos dele, e eu creio que sim, que o mundo somos nós, aqui e agora, amanhã.
A todos, desejo que encontrem em 2009 O Sonho dentro de vós, e que tenham a força necessária para tornar a Beleza realidade, para tornar o mundo, o peito, o coração, um Lugar cheio de beleza, aquela capaz de contagiar e resistir...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A Adoração dos Pastores, Tintoretto, 1581, 542 x 455 cm


Naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que fosse recenseada toda a terra. Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirinio era governador da Síria. E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
Subiu também José, da Galileia, da cidade de Nazaré, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e linhagem de David, a fim de recensear-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz, e teve a seu filho primogénito; envolveu-o em panos e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.
Naquela mesma região pernoitavam pastores no campo, que guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho. O anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; pelo que se encheram de grande temor. O anjo, porém, disse-lhes:
"Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo: É que nasceu hoje, na cidade de David, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos servirá de sinal ara o identificardes: Achareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura".
Então, de repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, louvando a Deus e dizendo:
"Glória a Deus nas alturas e paz na terra entre os homens de boa vontade".
Quando os anjos se afastaram deles em direcção ao céu, os pastores disseram uns aos outros:
"Vamos já até Belém, e vejamos isso que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer".
Foram, pois, a toda a pressa, e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura; e vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; e todos os que a ouviram se admiravam do que os pastores lhes diziam.
Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração.
E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito.

Lucas 2, 1-20

Feliz natal, com amor, saúde e bons momentos de felicidade.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008



...da irreverência, coragem, amor à vida e amor à arte.

Phillippe Petit
Reportagem CBS - 1974

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

How to fight against moths, Time Out, 2007




OK!

Está na hora de fazer um intervalo.
Quando algo já não nos diz grande coisa é importante tentar perceber se queremos ou não queremos continuar e insistir, insistir...
Neste momento não quero, não me apetece continuar a escrever para aqui.
Não tenho tempo.
Simplesmente não me apetece.

So...




So long, I'll see ya!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008


Workjacking.

Li este termo num dos blogues que comentavam o recente afastamento de Joana Varela da Colóquio/Letras.
E Workjacking é mesmo o termo a utilizar, e infelizmente acontece cada vez mais em Portugal.
É cada vez mais frequente o assalto aos lugares de destaque e de grande relevância, às funções mais vistosas, aos projectos mais importantes depois de bem consolidados. É frequente a falta de respeito pelo trabalho meritório de pessoas que mudaram e marcaram a cultura portuguesa.
É frequente o partidarismo com que se tomam certas decisões, seja o político-partidário, seja o pessoal ou de outra ordem, em detrimento da competência, do trabalho, da dedicação e entrega, do mérito.

Infelizmente o nosso país é assim, e tenho de confessar que tenho cada vez mais asco à cambada de energúmenos que se encontram a conduzir os destinos das nossas grandes casas de cultura, como esta.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008



Estou há cinco dias a actualizar o currículo (os últimos dois anos) e ainda só consegui terminar o ano de 2007.
Quem ler a frase acima deve pensar que tenho um que nunca mais acaba.
Acaba!
É substantivo e generoso, mas essa substância e generosidade bem que poderia ser proporcional ao meu cansaço e incapacidade para pensar depois de um dia de trabalho atrás de outro, sempre esgotante.
Agora vem a parte difícil… no meu tempo havia uma forma de fazer currículos: dados pessoais, formação académica, formação profissional, experiência profissional mais ou menos descritiva com indicação das competências especiais, publicações, participações em seminários e por aí fora, tudo por ordem cronológica, muito bem descrito e comprovado, para que o empregador/entrevistador soubesse exactamente o tipo de perfil e competências que o candidato tinha.
Os tempos mudam e agora há uma nova forma de fazer currículos: os EuroPass, com uma formatação específica que dá vontade de fugir e segundo uma norma europeia que até mete medo. Eu, pelo menos, acho, e de cada vez que me aparecem curriculos desses à frente é uma dor de cabeça para os ler.
Agora é a minha vez de dar esse trabalho a outros, sem bem que dá tb imenso trabalho a preparar, e não querendo parecer antiquada, vou-me render à norma.
O mais interessante destes currículos é que eles estão para a apresentação do perfil e competências dos candidatos, como Bolonha está para a formação académica: quanto menos informação tiverem melhor e quanto mais condensada e curta melhor.
Duas ou três páginas para explicar um currículo de onze anos… assim como uma dessas Licenciaturas que se tiram ao fim de três anos e Mestrado ao fim de mais dois, com uma tese com cerca de 50 a 75 páginas sobre uma “pintelhice” qualquer, com pouca informação, pouca fundamentação e o mais sintética possível.
Ora! É para isto que caminhamos.
Raios partam estas coisas da Europa!

domingo, 9 de novembro de 2008



Houve um tempo em que eu era daqui, e todas as horas tinham um sabor que já não consigo recordar, mas davam prazer, e pareciam desprendidas do tempo, perdidas, como se ele passasse por mim sem me levar.
Houve um tempo em que os sonhos passavam da noite para o dia, linearmente, e se vivia dia a dia o conforto de estar segura e ser feliz.

sábado, 1 de novembro de 2008

Ben Rose. Station Wagon Interior, Utopia Parkway, Queens. 1955,
© 2008 Estate of Ben Rose


Eu não tenho propriamente certeza do que quero.
E depois?
Afinal, à medida que os dias passam, tenho cada vez menos certeza do que realmente pretendo, e por mais que tenha o que sempre quis, nunca tenho o suficiente.
Tenho pouca coisa. Tenho o necessário. Já o amor dá demasiado trabalho. Mais do que aquele que consigo tirar de mim. É assim mesmo.
Nunca fui grande coisa nesta matéria. Eu sei. Ninguém me disse e por isso não é preciso dizer mais nada, nem que sim nem que não. Afinal, conheço-me bem.
Embora não deixe de ser curioso. Sempre gostei de trabalho, e para mim, trabalho é, muitas vezes, sinónimo de prazer. Em demasia também nos faz passar pela vida sem que tenhamos tempo para saborear dois pares de dez minutos, saborear o silêncio, os momentos mais íntimos e intransmissíveis, os rituais que são só nossos, as nossas coisas, o nosso espaço, o nosso tempo...
O dia consome-se como uma cabeça de fósforo incendiada, a noite passa pesada sem que dê pelos sonhos, e a manhã, cada vez mais densa, teima em vir demasiado depressa.

Mais uma fase, mais um vazio necessário, e ainda assim indolor, conformado.
Acho que estão assim os meus dias, entre o trabalho levado ao extremo, o conformismo e a vontade latente de mudança, que há-de chegar. Que eu quero esperar.