sábado, 19 de setembro de 2009


CANTARES DOS BÚZIOS

Meu coração é um búzio
onde em perpétuo rumor
se alonga a minha saudade
e murmura o meu amor.

Afonso Lopes Vieira, Ilhas de Bruma, 1917.


Remexer nos livros e ter o prazer de encontrar, pela mão do poeta, a palavra feita escultura, uma das mais belas.
Tardes soalheiras, de retiro e reencontro.
Momentos para repousar e vaguear na solidão boa acompanhada da palavra, da luz e da brisa quente que sopra aqui fora.
Afinal, o verão ainda não foi embora.


segunda-feira, 14 de setembro de 2009


Esta coisa da campanha eleitoral é um pouco como os saldos.
Há uma época para eles, mas muito antes já andamos a olhar para as inúmeras promoções, de tal forma que por vezes é maior o tempo que as lojas passam em promoções e descontos, do que com os preços ditos normais.
Agora entrámos em época de saldos na politica e é vê-los acotovelarem-se com argumentos cozinhados por dezenas de assessores da Comunicação (que nós pagamos) e com promessas de última hora para ganhar mais uns votos.
E entram assim nas nossas vidas sem que os queiramos cá.
A semana passada até sonhei que o Louçã tinha ganho as eleições, logo eu, que nunca me lembro dos sonhos.
É a Loucura!
Só é pena que não existam eleições todas as estações…

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Chris - Claire Harvey

De entre um certo número de coisas que não gosto, há uma que me deixa com uma certa melancolia: sentir os dias cada vez mais pequenos, que a noite caí cada vez mais depressa e que o sol inscreve o seu movimento de rotação semi-circular cada vez mais baixo no céu.
Os dias vão ficando mais frescos. O Verão anuncia a sua saída.
De todas estas coisas, há apenas uma boa: a luz da manhã que me entra pelas janelas dentro, e se estende, languidamente, ao longo do dia, no chão, num rasto perpétuo de luz e calor, projectando sombras sinuosas pela casa adentro, avivando cores, aquecendo o ar, preparando-o para a chegada do senhor que se segue.
Lembra-me que devemos tirar o máximo proveito dos dias, que devemos procurar o melhor que cada um deles tem para nos oferecer, para ser descoberto, que há uma rara beleza escondida em todas as estações.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

























Amo-te nesta ideia nocturna da luz nas mãos
E quero cair em desuso
Fundir-me completamente.
Esperar o clarão da tua vinda, a estrela, o teu anjo
Os focos celestes que a candeia humana não iguala
Que os olhos da pessoa amada não fazem esquecer.
Amo tão grandemente a ideia do teu rosto que penso ver-te
Voltado para mim
Inclinado como a criança que quer voltar ao chão.

Fotografia parcial de uma obra de Joana Vasconcelos

quarta-feira, 19 de agosto de 2009


...lembra-me que, o que vale mesmo a pena, é experimentar, viver intensamente cada instante e não passar ao lado daquilo que nos faz sentir bem, e ao outro.

Pois é...
Já voltei de férias :)
Mas a vontade e a energia é pouca.

segunda-feira, 27 de julho de 2009





Do oito ao oitenta...
E depois de umas horas bem sofridinhas, entaladinha com "coisas" de última hora (que eu há dois dias que não penso noutra coisa senão nas férias) vou-me ao calor e à boa vida, que eu não gosto só de trabalho e gosto mesmo é de vida muito boa.
Vou para aqui, tentar não fazer grande coisa, passar o tempo entre a praia e a esplanada, que tem umas saladas deliciosas...
Até ao meu regresso.


segunda-feira, 20 de julho de 2009




Fonix!
Mas que raio de raiz é que eu plantei para colher o raio de vida que ando a ter?!
Entre desabafar e um saco de boxe, às vezes, dava um certo jeito um muro, uma parede bem dura e rugosa para andar ao murro e ao pontapé.
Assim, ia de baixa médica, psiquiátrica, e acabava-se logo o stress.

O país está uma loucura.
As pessoas vão de férias mas ficam em casa, na cidade, nos centros comerciais, a entupir as avenidas, arrastando-se pelas estradas em passeio.
Os políticos aceleram na auto-estrada rumo ao poleiro, com promessas de toda a espécie e feitio (e eu pergunto: será que nos tomam por parvos? ou será que somos mesmo parvinhos de todo?)
Não devia ser possível haver tantas eleições num ano só, e com tão pouco tempo de distância entre elas.
Por outro lado a política deveria deixar de ser um jogo que se joga para marcar pontos e vencer, custe o que custar.
Estou cansada de tanta jogatana suja, irresponsável e imoral.
Alguém recebe as páginas dos classificados dos jornais de Zanzibar?!
Estou a precisar de mudar de trabalho, de rumo e de vida.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Autor desconhecido

OK!
Bem sei.
Este cantinho tem andado meio abandonado...
Mas só pelas palavras e pelas imagens, que eu venho aqui quase todos os dias limpar o pó, varrer o chão e ligar-me a outros cantinhos que gravitam em torno daqui.
Acho que já nem adianta dizer que o trabalho ultimamente me corroí até aos ossos, porque na verdade eu até já ando cansada de me ouvir dizer o quanto as minhas horas são completamente preenchidas ou abafadas por ele. Até eu já penso, por vezes, que só posso estar a mentir, ou que sou uma exagerada, tal é a frequência com que ando a dizer que tenho muito trabalho, e que tenho pouco tempo, e coisa e tal...

- Ninguém pode ter assim tanto trabalho a ponto de não ter tempo nenhum, sequer para vir aqui postar qualquer coisinha...

Pois não. É por isso que hoje, além das habituais varidelas, resolvi enfeitar a jarra com flores.