terça-feira, 27 de maio de 2008


...uma coisa eu tenho de confessar…


Se o sol não vem depressa eu sou bem capaz de entrar em depressão. É que já estou farta de tanta água, e vento, e frio, e céu cinzento, e de andar de camisola e casaco, chapéu de chuva e cabelo virado do avesso. Isto, aliado a um sintomático aumento de trabalho, a que é, normalmente, essencial, um aumento significativo de boa disposição, energia e adrenalina, não com nada….

É que eu estou para o sol como os carros estão para os combustíveis, ou seja, sou dependente dele e ele está a “entrar em deficit” (que é uma palavra que há muito entrou no nosso vocabulário) com uma diferença, felizmente, no meio desta coisa toda: eu sou mais ecológica.

O que me leva a pensar, quando se fala em combustíveis, ao que nós associamos logo impostos dos combustíveis, e logo de seguida impostos no geral sem olhar a quê… se quando no meu orçamento as despesas aumentam fruto de uma conjuntura económica a que sou alheia… será que posso ir exigindo à minha entidade empregadora que me aumente o salário? Ou tenho de reduzir as minhas despesas correntes e alguns investimentos acessórios (optando obviamente por não diminui no capital para investimentos estruturais) para fazer face a este tipo de situações? Como é que é? Ou será que posso escravizar alguém para lá ir buscar mais algum rendimento?
É que no meio destas questões só me ocorre dizer que me parece que, em muitos aspectos, estamos a voltar ao Antigo Regime…

E bom… voltando ao sol, já percebi que este ano se quiser passar férias a aquecer o corpinho ao sol tenho de pagar para ir para uma ilha tropical qualquer, que nem a Costa Alentejana ou o Algarve me valem.
Enquanto isso desespero por uns dias de sol e calor de rachar.
(National Memorial for the Homosexual Victims of the Nazi Regime)

É inaugurado hoje, em frente do Memorial ao Holocausto em Berlim. Este último está implantado numa grande área localizada junto às Portas de Brandenburgo, e é composto por 2711 lajes rectangulares de betão, de diferentes alturas, assimétricas, onde, ao caminhar por entre a quadricomia das lajes, por entre as pequenas passagens apertadas, paralelas e perpendiculares, nos afundamos por entre blocos de cimento enegrecido, no silêncio claustrofóbico e frio, descendo até às profundezas da terra e do terror… é indescritível a sensação (tal como é a de caminhar no Jardim do Exílio, na Torre do Holocausto ou através da Shalekhet de Menashe Kadishman no Museu Judeu de Berlim). Trata-se de um dos mais impressionante e perturbadores monumentos que nos remetem para as mais crueis atrocidades cometidas contra a Humanidade.
Já este novo memorial será inspirado no do Holocausto. Será constituído por uma laje idêntica às do memorial do outro lado da rua, feita no mesmo material e com a mesma cor, oca e maior, sem portas. Terá apenas uma pequena janela quadrada onde, através dela, se poderá observar um filme de um beijo interminável entre dois homens, realizado por Robby Müller e Thomas Vinterberg. O filme tem a particularidade de mostrar como pano de fundo a paisagem que está para lá da parede da laje, alterando-se apenas a paisagem, pois esta vai também mostrando a mudança das estações através do tempo, remetendo-nos para aquela noção de existência e de amor interminável e intemporal...

'We are the same, but we are also different.'

segunda-feira, 26 de maio de 2008



a partir de certa altura, a vida pode sair-nos da mão, ficar fora de controle. perseguimos sonhos. construímos alicerces, paredes e tectos. casas. sem darmos por isso tecemos ciladas. amarras. numa fracção de segundos, todos, menos nós, passam a controlar-nos.
deixamos de ter vontade própria. tornamo-nos escravos dos monstros que criámos. passamos a corresponder às expectativas do monstro… o corpo é frágil e prega-nos uma partida. sentimo-nos indefesos. sentimos medo e estamos sós.
um filme bem mais profundo, a explorar, através das entranhas do mais sórdido que temos dentro de nós, e simultaneamente, do que temos de mais inocente...

música... excelente!


Querida Annik,
Eu sei que me imponho na tua vida, não tu na minha.
Há dias pensei que as coisas estavam a tronar-se mais claras, mas vejo agora tudo desmoronar-se à minha frente.
Pago um preço caro pelos erros passados.
Nunca me dei conta como um erro cometido há quatro ou cinco anos me faria sentir assim.
Luto entre o que a minha mente me diz ser correcto e uma verdade deformada tal como é vista por outros, que não só são sem coração, como não percebem as diferenças.
A luta entre a consciência do Homem e o seu coração, até as coisas irem longe demais e não mais poderem ser corrigidas. No fim será tudo tão desprezível?
Não haverá mais nada?
Que haverá para além? Que resta para continuarmos?

Ian Curtis - Control

domingo, 25 de maio de 2008


Ontem, enquanto almoçava, ouvia na televisão uma notícia que dava conta da realização de um congresso anual de igrejas do reino de Deus, que entre outras coisas, são cristãos e evangélicos. Não são muito diferentes de outras igrejas, excepto em pequenos pormenores técnicos.
No decurso de uma entrevista que faziam a um pastor, este falava, entre outras coisas, sobre as questões do casamento e da homossexualidade, e lá ia dizendo que este tipo de orientação era contra o plano de Deus, porque o plano de Deus, o maior desígnio de Deus, assenta na família, alicerçada noutro tipo de relação (e aqui eu já estou a acrescentar, pois eles nem consideram que possa haver uma família numa relação homossexual), pois o fim último das relações/famílias (entendi eu) era a procriação… eu até percebo que a questão da continuação da espécie seja importante, mas deixemos de ser hipócritas.
Ora, eu enquanto cristã, filha de Deus, sempre senti que o grande plano de Deus, o maior e o mais importante, é o amor ao próximo, que os homens vivam em comunhão com eles próprios, fazendo a paz, vivendo em amor, e amor sente-se independentemente de ser por um homem ou por uma mulher, por um americano ou por um iraquiano, por um negro ou por um branco, por um heterossexual ou por um transexual. O desejo é um fruto e uma das múltiplas expressões do amor, seja ele por quem for, desde que seja consentido e compartilhado por duas pessoas.
Quanto às relações homossexuais, elas estão tão no plano de Deus quanto as heterossexuais, pois em nada são atentatórias a este. Eu não sinto que Deus me veja como uma pessoa diferente, pois Ele vê-me como uma pessoa que ama e respeita e contribui para a felicidade dos outros, e eu sei disso. E que em vez de ter os meus filhos, poderei amar os filhos de outros, igual ou mais que qualquer pai biológico, e cria-los igual ou melhor, faze-los bons homens e mulheres, dentro do plano de Deus, como o meu Pai me viu e ajudou a crescer, como o meu Pai ama a mim.
O que eu lamento é que hoje em dia certos homens, aqueles que assumiram perante os outros o papel de discípulos de Deus, ainda não tenham aprendido a olhar para a Sua palavra, escrita, e separar o que é espelho de uma cultura de há 2000 mil anos atrás e os verdadeiros fundamentos, os verdadeiros princípios do plano de Deus.
Em resposta à corrente de desafios, especificamente ao agora proposto pela Lover numa segunda versão, que ainda assim é mais fácil de responder que a primeira, aqui vai.
É suposto definirmo-nos nos aspectos abaixo descritos, através de palavras, imagens, música, tudo junto ou apenas através de um ou de outro…

Onde nascemos
Onde, quando, como… fomos criados e crescemos
Por onde andámos
Por onde andamos
Quem somos
Quem seremos

Quanto a desafiar… tenho poucas alternativas, mas deixo aqui o convite à Serotonina e à RV.



sábado, 24 de maio de 2008



Eu sou vertical

mas não que não quisesse ser horizontal.
não sou árvore com minha raiz no solo
sugando minerais e amor materno
para a cada março refulgir em folha,
nem sou a beleza de um canteiro
colhendo meu quinhão de Ohs e me exibindo em cor,
desconhecendo que me despetalo em breve.
comparados a mim, uma árvore é imortal
e um pendão nada alto, embora mais assombroso,
o que eu quero é a longevidade de uma e a audácia do outro.

à luz infinitesimal das estrelas,
flores e árvores trescalam seus frios perfumes.
eu me movo entre elas, mas nenhuma me nota.
chego a pensar que pareço o mais perfeitamente
com elas quando estou dormindo -
os pensamentos esmaecem.
é mais natural para mim deitar.
céu e eu então animamos a prosa,
hei-de servir no dia em que deitar afinal:
e as árvores aí talvez em mim tocassem e as flores comigo se ocupassem.

a imagem, de um caminho, já é de hoje, do fim do dia

boa noite

Hoje o dia nasceu assim... lindo!
Caloroso, aberto, fresco/ameno, sonoro, cheiroso...
A foto já não é de hoje. Saí com uma tal sede de me evadir, abrir os pulmões e o peito, que acabei por me esquecer do equipamento em casa.
De qualquer modo o mar estava igual, o céu igual, o tom de luz igual...
fechar os olhos...
... :)