segunda-feira, 22 de setembro de 2008
sábado, 20 de setembro de 2008

Imaginem
00h30m
Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação. Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento. Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado. Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês. Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas. Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins. Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas. Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo. Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que país seremos se não o fizermos.
00h30m
Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação. Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento. Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado. Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês. Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas. Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins. Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas. Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo. Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que país seremos se não o fizermos.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Isto de ter miúdos a andar por casa faz com que conheçamos certas coisas que de outra forma, talvez não viéssemos a conhecer.
Há uns tempos eu e os meus piquenos víamos este filme quase todos os fins-de-semana. Adoravam-no!
Passados dois ou três anos, o meu piqueno (o mais novo) lembrou-se de me pedir para ver de novo.
Resultado: barrigadas de riso!
Irónico e inteligente! E ele percebe-lhe muito bem o sentido.
Bem feita! Dizia ele…
Quanto ao resto… as férias (curtas) já lá vão e o trabalho é mais que muito… Setembro já cá está e o verão passou rápido demais. Será mesmo assim – o tempo passa rápido - ou será mesmo impressão consequência da idade… sei lá!
Bom trabalho para quem inicia agora mais um ano e boas férias para quem passou o verão a trabalhar e vai agora aproveitar uns dias bons de descanso. Eu, fico-me por aqui.
Há uns tempos eu e os meus piquenos víamos este filme quase todos os fins-de-semana. Adoravam-no!
Passados dois ou três anos, o meu piqueno (o mais novo) lembrou-se de me pedir para ver de novo.
Resultado: barrigadas de riso!
Irónico e inteligente! E ele percebe-lhe muito bem o sentido.
Bem feita! Dizia ele…
Quanto ao resto… as férias (curtas) já lá vão e o trabalho é mais que muito… Setembro já cá está e o verão passou rápido demais. Será mesmo assim – o tempo passa rápido - ou será mesmo impressão consequência da idade… sei lá!
Bom trabalho para quem inicia agora mais um ano e boas férias para quem passou o verão a trabalhar e vai agora aproveitar uns dias bons de descanso. Eu, fico-me por aqui.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Tenho os quadros no chão. Um monte de telas e molduras com colorido e textura encostadas à parede, esperando. Caixotes de cartão, pouco tempo para os movimentar, e pó.
Estou cansada. O dia correu bem. Está mais uma etapa vencida com sucesso.
O cansaço faz-me baixar à terra, assentar os pés e desarmar, repensar, “retrospectivar”, se é que este verbo existe, o sentido. É estranha esta sensação, de esvaziamento, de nudez, de desprendimento, de desenquadramento racional.
Apetecia-me cair, assentar, ameigar-me onde já fui feliz. Um microcosmos pulmão e sangue.
Mas as tempestades passam, e à sua volta deixam um rasto de destruição. Com elas levam, por vezes, os lugares onde já fomos felizes. Deixam esta sensação de despojamento e de melancolia.
Sinto saudades. Um sentimento de desenraizamento, de pertença estranho, como se algures tivesse deixado uma parte, uma parte significativa, desprezada e maltratada, mas que é nossa.
Deixei.
O cansaço quebra-nos a vigília, a vontade. A nostalgia apodera-se do pensamento. Ou não sabemos muito bem o que se apodera da razão. Sabemos que algo se apodera de qualquer coisa. De repente o mundo muda de sítio e o peito fica pequeno.
Contra isto, uma noite de sono, um sonho, e esperar que o verão passe depressa.
Dizia eu que tenho os quadros no chão, a paixão encerrada num traço, num ponto final.
sábado, 26 de julho de 2008

Preparar uma casa para viver pode, afinal, ser muito mais difícil do que à partida parece.
O calvário de pensar, conjugar e escolher coisas, a cor dos móveis, o desenho, pensar a funcionalidade versus necessidade versus estética versus qualidade versos custo.
Pensar dimensões e arrumação no espaço, prioridades, etc., etc., etc..
Se há uns tempos o Ikea era opção, agora que vou ao pormenor, já não é.
Além dos magotes de gente (que eu até família encontrei hoje no Ikea, vá-se imaginar) a qualidade dos materiais e dos acabamentos deixa a desejar e não há nada do que quero, realmente.
Se juntarmos o facto de sermos nós a montar… só pode correr mal.
Assim, segue-se o calvário de ter de desenhar os móveis e mandar fazer, rezando para que no final tudo resulte bem.
A seguir vem a parte dos electrodomésticos e depois os complementos. A juntar ao caos das escolhas, a falta de tempo, por isso, lá para o natal tenho a casa pronta.
Neste momento (dois meses depois) já tem água e luz. Não é mau.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
...aparentemente, sou uma sábia coruja!
A coruja é uma ave noturna, símbolo do conhecimento racional. Você é uma pessoa que gosta de estudar e fazer uma reflexão sobre todos os aspectos de sua vida. Seu dia a dia é bastante regrado. Ai, se alguma coisa estiver fora do lugar ou, dando errado. A coruja não gosta de arriscar e investe apenas naquilo que é certo para ela. Aqui vai uma dica: se você mergulhar no seu interior, descobrirá que tem grande percepção do oculto.
ou então
ou então
... um cachorro, no bom sentido da palavra, é claro!O cachorro é o amigo inseparável. Ele não consegue ficar longe dos amigos e adora festas e encontros. É o companheiro fiel que toda pessoa gostaria de ter sempre ao seu lado. Outra característica canina é ser o vigilante de sua casa. Você realmente gosta de tomar conta da sua família e proteger quem está ao seu redor. Coitado de quem invadir o seu espaço.
Entretanto, se você parar de pensar, encontrará uma certa dificuldade em ficar sozinho. O cachorro é capaz de ajudar os outros, mas não sabe lidar direito com os seus problemas. Talvez seja preciso abrir sua conexão ao divino. Afinal, o cão conhece melhor do que ninguém o mundo do Além.
domingo, 20 de julho de 2008

Grand Central - Platform 2, Rob Gardiner
O Lobo nos Sonhos
Não feches a luz
tenho medo dos meus sonhos
medo de entrar pela porta errada.
Nos meus sonhos
os dentes caem-me
e eu fico sozinha a gritar no escuro.
Não feches os olhos
não deixes fechar os meus
não quero ir por maus caminhos
Nos sonhos proibidos
não há ninguém
toda a gente fugiu ou está prestes e fugir
e eu não tenho cabelos.
Não apagues a luz
não quero ficar sem dentes
uma coisa dolorida à deriva no mais profundo escuro.
Nos sonhos mais terríveis
não há sol
e todos me estranham
debaixo de uma lua gelada.
Não feches a luz
não sabes nada, não fazes ideia
o frio que está, a falta de ar,
o brilho que é, o maligno luar.
Sara Monteiro – Big Ode #5
Assinar:
Comentários (Atom)



