segunda-feira, 17 de novembro de 2008

How to fight against moths, Time Out, 2007




OK!

Está na hora de fazer um intervalo.
Quando algo já não nos diz grande coisa é importante tentar perceber se queremos ou não queremos continuar e insistir, insistir...
Neste momento não quero, não me apetece continuar a escrever para aqui.
Não tenho tempo.
Simplesmente não me apetece.

So...




So long, I'll see ya!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008


Workjacking.

Li este termo num dos blogues que comentavam o recente afastamento de Joana Varela da Colóquio/Letras.
E Workjacking é mesmo o termo a utilizar, e infelizmente acontece cada vez mais em Portugal.
É cada vez mais frequente o assalto aos lugares de destaque e de grande relevância, às funções mais vistosas, aos projectos mais importantes depois de bem consolidados. É frequente a falta de respeito pelo trabalho meritório de pessoas que mudaram e marcaram a cultura portuguesa.
É frequente o partidarismo com que se tomam certas decisões, seja o político-partidário, seja o pessoal ou de outra ordem, em detrimento da competência, do trabalho, da dedicação e entrega, do mérito.

Infelizmente o nosso país é assim, e tenho de confessar que tenho cada vez mais asco à cambada de energúmenos que se encontram a conduzir os destinos das nossas grandes casas de cultura, como esta.

Aqui

Assine!


Para saber mais:

Aqui

Aqui

quarta-feira, 12 de novembro de 2008



Estou há cinco dias a actualizar o currículo (os últimos dois anos) e ainda só consegui terminar o ano de 2007.
Quem ler a frase acima deve pensar que tenho um que nunca mais acaba.
Acaba!
É substantivo e generoso, mas essa substância e generosidade bem que poderia ser proporcional ao meu cansaço e incapacidade para pensar depois de um dia de trabalho atrás de outro, sempre esgotante.
Agora vem a parte difícil… no meu tempo havia uma forma de fazer currículos: dados pessoais, formação académica, formação profissional, experiência profissional mais ou menos descritiva com indicação das competências especiais, publicações, participações em seminários e por aí fora, tudo por ordem cronológica, muito bem descrito e comprovado, para que o empregador/entrevistador soubesse exactamente o tipo de perfil e competências que o candidato tinha.
Os tempos mudam e agora há uma nova forma de fazer currículos: os EuroPass, com uma formatação específica que dá vontade de fugir e segundo uma norma europeia que até mete medo. Eu, pelo menos, acho, e de cada vez que me aparecem curriculos desses à frente é uma dor de cabeça para os ler.
Agora é a minha vez de dar esse trabalho a outros, sem bem que dá tb imenso trabalho a preparar, e não querendo parecer antiquada, vou-me render à norma.
O mais interessante destes currículos é que eles estão para a apresentação do perfil e competências dos candidatos, como Bolonha está para a formação académica: quanto menos informação tiverem melhor e quanto mais condensada e curta melhor.
Duas ou três páginas para explicar um currículo de onze anos… assim como uma dessas Licenciaturas que se tiram ao fim de três anos e Mestrado ao fim de mais dois, com uma tese com cerca de 50 a 75 páginas sobre uma “pintelhice” qualquer, com pouca informação, pouca fundamentação e o mais sintética possível.
Ora! É para isto que caminhamos.
Raios partam estas coisas da Europa!

domingo, 9 de novembro de 2008



Houve um tempo em que eu era daqui, e todas as horas tinham um sabor que já não consigo recordar, mas davam prazer, e pareciam desprendidas do tempo, perdidas, como se ele passasse por mim sem me levar.
Houve um tempo em que os sonhos passavam da noite para o dia, linearmente, e se vivia dia a dia o conforto de estar segura e ser feliz.

sábado, 1 de novembro de 2008

Ben Rose. Station Wagon Interior, Utopia Parkway, Queens. 1955,
© 2008 Estate of Ben Rose


Eu não tenho propriamente certeza do que quero.
E depois?
Afinal, à medida que os dias passam, tenho cada vez menos certeza do que realmente pretendo, e por mais que tenha o que sempre quis, nunca tenho o suficiente.
Tenho pouca coisa. Tenho o necessário. Já o amor dá demasiado trabalho. Mais do que aquele que consigo tirar de mim. É assim mesmo.
Nunca fui grande coisa nesta matéria. Eu sei. Ninguém me disse e por isso não é preciso dizer mais nada, nem que sim nem que não. Afinal, conheço-me bem.
Embora não deixe de ser curioso. Sempre gostei de trabalho, e para mim, trabalho é, muitas vezes, sinónimo de prazer. Em demasia também nos faz passar pela vida sem que tenhamos tempo para saborear dois pares de dez minutos, saborear o silêncio, os momentos mais íntimos e intransmissíveis, os rituais que são só nossos, as nossas coisas, o nosso espaço, o nosso tempo...
O dia consome-se como uma cabeça de fósforo incendiada, a noite passa pesada sem que dê pelos sonhos, e a manhã, cada vez mais densa, teima em vir demasiado depressa.

Mais uma fase, mais um vazio necessário, e ainda assim indolor, conformado.
Acho que estão assim os meus dias, entre o trabalho levado ao extremo, o conformismo e a vontade latente de mudança, que há-de chegar. Que eu quero esperar.


domingo, 19 de outubro de 2008

Hiroshi Sugimoto

O que eu gostava?
O que eu gostava era de não sentir medo e mergulhar no mundo.
Mas acima de tudo ter o temperamento necessário para mandar certas pessoas à merda, e ficar leve e satisfeita depois disso.


Hoje está um dia extraordinário de sol, fresco, um sol raso de manhã de Outono.
Levantei-me com vontade de ir às pinhas, entrar pelo pinhal dentro, onde não há vivalma nem som algum que não seja o do vento nas copas dos pinheiros, dos gaios, melros e pequenas aves, e da caruma seca a quebrar debaixo das botas, e arranjar uma meia dúzia de sacos com pinhas para queimar no Inverno.
Depois, desembocar no mar e terminar com um bom café na esplanada da praia, aquela onde apenas os pescadores vão, agora que parece que o mar está a dar sargos e robalos à linha, longe das histerias dos patins em linha e das bicicletas de domingo de manhã.
Claro que tamanha divagação se deve apenas e só ao facto de não ter tempo para o fazer. Dizia o Variações que bem que se podia fazer hoje (ontem).
Sempre fui assim. Quando mais nova, tendo de estudar, deixava sempre para último, e havia sempre mais alguma coisa interessante para fazer do que estudar, ou fazer os trabalhos de casa. Mesmo depois, quando os estudos começaram a doer, e já depois quando exigiram outro tipo de abordagem, foi assim. É assim. Não mudamos assim tanto, nem com a idade enm com outro tipo de responsabilidades.
Deste modo, e como não vou arriscar a sair daqui (ainda me perco) mergulho numa foto de Janeiro deste ano. É assim que está o dia de hoje. Lindíssimo.
Ai que bem que se deve estar na praia…

sábado, 18 de outubro de 2008



Espólio de Fernando Pessoa impedido de sair de Portugal

Os herdeiros de Fernando Pessoa, proprietários do espólio que vai ser leiloado pela P4 Photography, a 13 de Novembro, consideram a intenção, hoje anunciada pela Biblioteca Nacional de Portugal em classificar os documentos do poeta como Património Nacional, uma "ridicularia política".
Em declarações à Agência Lusa, Miguel Roza, sobrinho de Fernando Pessoa (1888-1935), e um dos proprietários do espólio, em conjunto com a irmã, Manuela Nogueira, considerou a medida "uma tempestade num copo de água nesta altura". "É uma ridicularia política porque os documentos que vão a leilão não são os mais importantes e o Governo vem mostrar agora que está interessado em classificar tudo", comentou. Miguel Roza reagiu desta forma ao facto da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) ter iniciado o processo de classificação do espólio do poeta Fernando Pessoa como Património Nacional, no âmbito da lei de bases do património.
Fonte do gabinete jurídico da Biblioteca Nacional confirmou à Lusa que "foi decretado o início do processo de classificação do espólio" e que todas as entidades detentoras de documentos do poeta foram já informadas. "Tendo sido informados todos os possuidores de documentos de Fernando Pessoa, será colocado anúncio no Diário da República a 23 de Outubro, havendo 20 dias para contestação", explicou Jorge Couto, director da BNP.
Dossier inédito Pessoa-Crowley é destaque no leilão da P4 Segundo esta determinação, todos os possuidores não conhecidos, de documentos de Pessoa, devem dar conhecimento do seu paradeiro à Biblioteca Nacional.
Esta classificação, esclareceu Jorge Couto, "coloca limitações às movimentações dos documentos que nunca poderão sair de Portugal em termos permanentes, mesmo que mudem de proprietários".
Miguel Roza disse que foi notificado há dois dias e que os herdeiros e a leiloeira P4 entregaram o caso a um advogado "porque se trata de uma questão jurídica".
Documentos, livros, cartas, revistas e fotografias de Fernando Pessoa pertencentes aos herdeiros do poeta integram o lote de documentos que estão previstos ir a leilão em Novembro pela leiloeira P4 Photgraphy.
No conjunto está o dossier Pessoa-Crowley - com cerca de 800 páginas - que reúne, entre outros manuscritos, correspondência entre o poeta e o ocultista inglês Aleister Crowley, e a novela policial inacabada que Pessoa escreveu com base no suicídio encenado de Crowley na Boca do Inferno, perto de Cascais, em 1930.
A família detém um espólio disperso que inclui, por exemplo, cerca de trinta livros que foram pertença de Fernando Pessoa, alguns deles oferecidos por outros escritores da época, e que contêm dedicatórias.
Num leilão realizado em Dezembro do ano passado, em Lisboa, um particular adquiriu por 11.000 euros uma fotografia de Fernando Pessoa aos dez anos, com uma dedicatória, oferecida pelo poeta a uma amiga.

17.10.2008 - 15h03 Lusa

...pois é. A questão é que poucas pessoas, muito poucas obras, adquirem o estatuto de património nacional e um reconhecimento cultural inigualável, acabando pertença da cultura de um país.
A verdade é que esse reconhecimento tem um efeito perverso: o valor material que os testemunhos adquirem, muitas vezes atentatório do verdadeiro valor intrínseco das coisas.
Leiloar um conjunto de documentos é simplesmente destruir uma colecção, um fio condutor, um conjunto de bens que contam uma história, que são uma história, que são uma coisa só, com um sentido muito próprio. E não são apenas a informação escrita. São matéria também.
Compreende-se a posição da Biblioteca Nacional. Mas também não se compreende. A colecção pode ser espartilhada na mesma. Só não pode é sair de Portugal…
O que não se compreende também é, por vezes, a falta de diálogo do Estado com certas famílias de pessoas como a de Pessoa. A falta de diálogo com vista à salvaguarda de bens de valor patrimonial e importantíssimo para a cultura Portuguesa. E a falta de dinheiros públicos para utilizar na salvaguarda desta singularidade e unidade.
Por outro lado, o diálogo, por vezes, também é dificultado pela outra parte, mais interessada em rentabilizar papeis que pouco mais devem significar do que dinheiro fácil.
Mas também é legitimo que o rentabilizem. É até mesmo vulgar certos artistas constituírem um bom espólio como garantia de sobrevivência confortável dos seus descendentes.
De qualquer modo, segundo dizem as más-línguas (ou boas) o Ministro da Cultura, recentemente, numa conferência da Casa Fernando Pessoa, já tinha afirmado que medidas deste género pudessem vir a ser tomadas, para evitar que certos bens ou colecções com interesse cultural nacional viessem a sair do país, e segundo consta, também lá estava a sobrinha do poeta. Certo é que, propositado ou não, entendida a mensagem ao não, chegámos ao que chegámos.
Não fico mais descansada. Repito: a colecção vai ser leiloada e espartilhada. Isso também é lamentável.
O sistema está cheio de perversidades.