terça-feira, 22 de janeiro de 2008


Turismo social e água benta...
Alguém dizia hoje durante o almoço que este ano iria dedicar 100% do tempo das suas férias à solidariedade.
Então era assim: viajar para um país africano para trabalhar gratuitamente a construir escolas, bairros sociais, hospitais, etc..
Para isso pagaria entre 1500 e 2000 euros para viajar, ficar instalado num hotel qualquer em regime de meia pensão e trabalhar no duro, todo o dia durante 15 dias, na construção de escolas para as criancinhas pretas pobrezinhas…

Não querendo roçar a indelicadeza, isto faz-me lembrar qualquer coisa: os profundos beatos e beatas que vão fervorosamente à missa de Domingo, passando primeiro pelo Sr. Padre para fazer a confissão dos pecados semanais, mostrar arrependimento, receber a penitência e alcançar a absolvição. Hora e meia depois voltam leves e descansados a casa, e na segunda-feira voltam à labuta dos pecados na que se hão-de acumular até ao Domingo seguinte.

Ora, eu não acho que não se deva ajudar os países africanos. Acho que toda a ajuda é pouca. Mas também acho que devemos ajudar da melhor forma que soubermos e formos úteis, com seriedade.
Tenho a certeza que, por metade desse dinheiro (ou menos, se considerarmos a diferença do valor do trabalho em Portugal/África) os pedreiros africanos fariam bem melhor e ainda estaríamos a contribuir para a melhoria das condições sociais e económicas naquele continente, gerando emprego e potenciando o desenvolvimento sustentado.
Acho ainda maior a hipocrisia quando se sabe que a uma boa metade destas pessoas bastava-lhes esticar o braço e dedicarem 3 horas da vida delas, semanalmente ou de quinze em quinze dias, a ajudar outras pessoas, nas suas áreas profissionais ou simplesmente com trabalho indiferenciado, para mudarem significativamente a vida de muitos portugueses.
Sim, porque Portugal também precisa de solidariedade, muitas vezes bastam duas ou três horas do nosso tempo, e de pequeno gesto em pequeno gesto vamos conseguindo mudar a cores da paisagem que nos rodeia.
Muitas vezes a necessidade mora ali ao nosso lado, mas nós vamos para África... Ora muito bem! que é como quem diz, "chica esperteza saloia"! (para não dizer outra coisa).

Um comentário:

serotonina disse...

Perfeitamente de acordo. É tão fácil fechar os olhos a quem precisa de ajuda, perto de nós e depois fazer grandes planos de solidariedade, daquela que é mais visível aos olhos dos outros.