domingo, 15 de março de 2009




Poema para habitar

A casa desabitada que nós somos
pede que a venham habitar,
que lhe abram as portas e as janelas
e deixem passear o vento pelos corredores.
Que lhe limpem os vidros da alma
e ponham a flutuar as cortinas do sangue
– até que uma aurora simples nos visite
com o seu corpo de sol desgrenhado e quente.
Até que uma flor de incêndio rompa
o solo das lágrimas carbonizadas e férteis.
Até que as palavras de pedra que arrancamos da língua
sejam aproveitadas para apedrejarmos a morte.

Albano Martins

4 comentários:

...label disse...

Fantástico!!!! Sem mais palavras, é mais do que sentido!

GRAFIS disse...

olá label, bons olhos te vejam de novo por aqui :)
...e tu sabes como as palavras são capazes de "sentir".
Um abraço.

(estamos para voltar de novo?)

S-Kelly disse...

Até a Natureza pede para ser revestida de folhagem e de cor. desabrochar, colorir, redecorar... algo que pressupõe mudança de estado. Urgência!
Um abraço forte

GRAFIS disse...

E naturalmente nos nascem novas roupagens, e nos pintamos de novas cores, e mudamos de paisagens. Felizmente que é assim, como a Natureza, no ritmo certo da transformação.
Abraço grande.