terça-feira, 6 de maio de 2008




Surpreendida e surpreendente.
The Mist.
Um filme sobre as veredas do medo, do mais frio e cortante terror, sobre as entranhas das fundações que sustentam a natureza humana e os limites da razão, sobre o limiar da perda do juízo e o passar para o outro lado.
Uma das abordagens que mais gostei foi a realizada à personagem fanática religiosa, acima de tudo a evolução desta personagem, a evolução do seu fanatismo, das suas crenças, das suas relações e da sua influência sobre os outros, as proporções que essas relações vão tomando, todos os seus significados, e a questão do poder, a forma como se alimenta do poder e a forma como o exerce sobre os outros.
Trata-se também de um filme sobre o poder, do sujeito e do objecto do poder, sobre os seus vários rostos face ao terror crescente do desconhecido e à necessidade de sobreviver.
É um filme meio apocalíptico (e violento – ah, e lá estavam as aranhas, que até me torci toda na cadeira), mas surpreendente.
E surpreendente e absolutamente admirável é o final, de génio (ao que parece, segundo me disseram, o final do filme não é o mesmo do livro, nem do Stephen King).
Trágico também, angustiante, especialmente porque envolve uma criança, que ao longo do filme parece ser como que o rei no tabuleiro, se estivéssemos a falar de xadrez.

Bom, mas assustador, assustador… foi a quando a minha amiga que me desafiou para ir ver o filme se engasgou numa pipoca e eu tive de a puxar para fora da sala sem perceber muito bem o que estava a acontecer. Assustador porque realmente ninguém está à espera que aconteça uma coisa destas, que alguém comece a agitar os braços e agarrar-nos o braço com uma força imensa sem conseguir respirar, por causa de uma pipoca atravessada na garganta (percebi depois, já fora da sala).
Mas acima de tudo é mesmo assustador porque não houve ninguém que se importasse sequer, ninguém se mexeu, ninguém ajudou, ninguém parecia muito incomodado, tirando o facto que estarmos a tapar a visão a algumas pessoas que estavam atrás, e eu garanto que devemos ter levado pelo menos um minuto a sair da sala, a moça sem conseguir respirar e eu a puxa-la (como podia) pelo tronco, e embora o ruído e a agitação, népias!
Mas correu tudo bem e não foi preciso chamar os bombeiros nem nada disso. Só uma pipoca atravessada na garganta.
Acho que a moça vai ter mais uma história para contar…
Voltando ao filme, recomenda-se!

5 comentários:

RV disse...

fiquei curiosa, até pq nem vi nenhum trailer publicitário

serotonina disse...

já tinha ouvido falar e está na minha lista. Claro que agora fiquei mais curiosa.

GRAFIS disse...

força. eu gostei muito.

maripoza disse...

olá :)
Obrigada pela tua visita.

Eu tenho terror a filmes de terror. Via muitos entre os meus 12 e 18 anos, depois, não sei que me deu, que deixei de conseguir ver.

Bem, mas a cena com a tua amiga... bolas.. imagina que tinha ido sozinha!

Ou estava tudo sem conseguir tirar os olhos do filme, ou então, comprova-se que cada um vive para si e para os seus e tudo o resto à volta não importa.

Beijinho esvoaçante

GRAFIS disse...

possivelmente comprova que as pessoas têm dificuldade em preocupar-se com os outros, levam tempo a reagir e geralmente, quando reagem, é sem grande vontade ou envolvimento. Pensam talvez que haverá sempre alguém que reaja primeiro, ou se alguém já reagiu então não é lá preciso.
comprova que cada um é por si, acima de tudo por si, e que os outros vêm em segundo, ao invés de primeiro ou no mesmo lugar.
Bjs